Banco do Japão mantém taxa de juros e projeta cenário econômico mais otimista
Decisão unânima em meio a eleições antecipadas e inflação persistente
O Banco do Japão (BoJ) decidiu, nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, manter sua taxa básica de juros inalterada em 0,75%, no primeiro encontro do ano do comitê de política monetária. A decisão, aprovada por uma votação de 8 a 1, mantém os custos de empréstimos no nível mais elevado desde setembro de 1995 e segue um aumento de 0,25 ponto percentual implementado em dezembro do ano passado.
A pausa no ciclo de alta ocorre em um momento de avaliação cuidadosa do impacto do aperto monetário anterior sobre a economia, que ainda lida com a persistente fraqueza do iene e pressões inflacionárias. Paralelamente à decisão, o banco central revisou para cima suas projeções para o crescimento da economia japonesa, citando o apoio de um recente acordo comercial com os Estados Unidos e de um grande pacote de estímulos fiscais aprovado pelo governo da primeira-ministra Sanae Takaichi.
Para o ano fiscal de 2025, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real foi elevada para um intervalo entre 0,8% e 0,9%. Para o ano fiscal de 2026, a expectativa de expansão econômica também foi ajustada para cima, projetada agora entre 0,8% e 1,0%. Em relação à inflação, o BoJ manteve sua visão de que o índice de preços ao consumidor núcleo deve permanecer próximo ou acima da meta de 2% no próximo ano fiscal.
A decisão de hoje ocorre em um contexto político sensível, com a dissolução do parlamento e a convocação de eleições gerais antecipadas para o dia 8 de fevereiro. A primeira-ministra Takaichi, que no passado se mostrou crítica a aumentos agressivos de juros, recentemente amenizou seu discurso, focando no combate ao custo de vida. O pacote de estímulos do governo, que inclui subsídios para contas de energia, é visto como um contraponto fiscal ao aperto monetário iniciado pelo banco central.
Em comunicado, o BoJ reiterou que as taxas de juros poderão subir ainda mais ao longo de 2026 se a atividade econômica e a trajetória da inflação evoluírem conforme as novas projeções. A autoridade monetária busca sustentar o que chama de “ciclo virtuoso”, no qual aumentos moderados de salários e preços se reforçam mutuamente, consolidando a estabilidade de preços após décadas de deflação.
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