Parlamento japonês é dissolvido para eleição-relâmpago de 16 dias, a mais curta da história pós-guerra

Japão dissolve Câmara dos Deputados para eleição-relâmpago em fevereiro

Campanha de apenas 16 dias, a mais curta do pós-guerra, decide futuro da coalizão governista

O Japão deu início a um raro processo eleitoral de inverno. A Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Parlamento japonês, foi formalmente dissolvida nesta sexta-feira, 23 de janeiro, no primeiro dia da sessão parlamentar ordinária. O governo marcou a eleição geral para o dia 8 de fevereiro, com o período oficial de campanha começando na próxima terça-feira, 27 de janeiro. O intervalo de apenas 16 dias entre a dissolução e a votação é o mais curto da história do país desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

A dissolução no início de uma sessão parlamentar ordinária é um evento histórico, que não ocorria há 60 anos. A primeira-ministra Sanae Takaichi justificou a decisão de convocar uma eleição antecipada argumentando que ainda não recebeu um mandato público direto para seu governo, que começou em outubro do ano passado, e para a nova coalizão de governo entre seu Partido Liberal Democrata (PLD) e o Partido da Inovação do Japão.

O foco da eleição será a capacidade da coalizão governista de manter a maioria na Câmara dos Representantes. A primeira-ministra estabeleceu a linha de sucesso na conquista de pelo menos 233 dos 465 assentos, que conferem a maioria simples, e declarou que colocará seu cargo em jogo com base nesse resultado. Esta será a primeira eleição nacional sob a nova coalizão PLD-Inovação, que substituiu o antigo parceiro de longa data, o Komeito.

No campo opositor, uma nova força majoritária surge para o desafio. O Partido Democrático Constitucional e o Komeito uniram-se para formar a “Aliança Reformista Centrista”, que se torna o principal partido de oposição no país. O novo bloco defende políticas com foco no bem-estar da população e critica a coalizão governista por priorizar considerações políticas em detrimento da discussão orçamentária.

Entre os principais temas da campanha estão as medidas para combater a alta dos preços. Tanto a coalizão governista, que propõe suspender por dois anos o imposto sobre consumo de alimentos, quanto a oposição, que defende a eliminação permanente desse tributo para itens essenciais, terão que explicar como encontrarão fontes alternativas de financiamento. Questões como escândalos de financiamento político envolvendo o PLD, políticas para residentes estrangeiros e o debate sobre o sobrenome conjugal opcional também devem dominar os debates.

A convocação da eleição em um prazo tão curto tem sido alvo de críticas de que os eleitores terão pouco tempo para analisar as propostas concorrentes. Além disso, a dissolução praticamente inviabiliza a aprovação do orçamento inicial para o ano fiscal de 2026, que começa em abril, até o prazo legal de fim de março. O governo e o partido no poder planejam adotar um orçamento provisório para lidar com a situação.

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