Takaichi dissolve Parlamento japonês em aposta eleitoral arriscada
Com alta popularidade pessoal, primeira-ministra busca fortalecer frágil base no Legislativo em pleito marcado para 8 de fevereiro
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, dissolveu oficialmente a Câmara dos Representantes (a câmara baixa do Parlamento) nesta sexta-feira, 23 de janeiro, convocando eleições gerais antecipadas para o dia 8 de fevereiro. A aposta da premiê, que está no cargo há menos de três meses, é capitalizar sua elevada popularidade pessoal para ampliar a extremamente estreita maioria da sua coalizão de governo.
Em coletiva de imprensa realizada na segunda-feira, 19 de janeiro, Takaichi afirmou que colocou seu futuro político nas urnas. “Quero que o povo decida diretamente se pode confiar a gestão do país a Sanae Takaichi”, declarou a premiê, justificando a dissolução parlamentar. A campanha eleitoral oficial terá início na terça-feira, 27 de janeiro, configurando o período mais curto do Japão no pós-guerra, com apenas 16 dias de campanha.
O movimento estratégico ocorre em um momento de forte apoio popular a Takaichi, com pesquisas indicando taxas de aprovação de até 78% para sua gestão. No entanto, existe uma discrepância significativa entre a popularidade da premiê e a do seu partido, o histórico Partido Liberal Democrata (PLD). Enquanto ela atinge picos de aprovação, o PLD mantém uma taxa estagnada em torno de 30%, prejudicado por escândalos recentes envolvendo financiamento de campanha.
Atualmente, a coalizão governista formada pelo PLD e pelo Partido da Inovação do Japão detém uma maioria mínima de apenas um assento na Câmara dos Representantes. Um dos objetivos centrais de Takaichi ao convocar as eleições é consolidar um mandato mais sólido para sua nova coalizão, após romper laços com o antigo parceiro Komeito, que duraram 26 anos.
Analistas políticos apontam que a primeira-ministra busca capitalizar sua popularidade antes que os riscos econômicos e as tensões diplomáticas com a China pesem na opinião pública. As relações entre Tóquio e Pequim se deterioraram após declarações de Takaichi em novembro sugerindo que o Japão poderia intervir em um eventual conflito militar envolvendo Taiwan.
Economicamente, a inflação promete ser um tema central da campanha. Dados oficiais divulgados nesta sexta-feira mostram uma desaceleração no índice de preços ao consumidor, que caiu para 2,4% em dezembro, impulsionada por subsídios governamentais. Contudo, o custo de vida, simbolizado pelo preço do arroz que subiu 34% no último ano, continua a ser uma grande preocupação para os eleitores.
A oposição também se reorganizou para o pleito. O Partido Democrático Constitucional (o principal partido de oposição) e o Komeito (ex-parceiro do PLD) uniram forças para formar a Aliança Centrista pela Reforma, buscando apresentar uma alternativa unificada ao governo.
A decisão de dissolver o Parlamento foi criticada pela oposição, que argumenta que o processo eleitoral pode atrasar a aprovação do orçamento nacional para o ano fiscal de 2026, que começa em abril, em um momento delicado para a economia.
Acompanhe mais atualizações no Japão em Pauta.






