Restart do reator de Kashiwazaki-Kariwa é interrompido após alarme, impactando plano da Tepco.

Reator nuclear da Tepco é reiniciado e parado em sequência crítica para plano de recuperação

Restart do reator 6 de Kashiwazaki-Kariwa, parado desde Fukushima, durou menos de um dia antes de uma parada técnica por alarme

A Tokyo Electric Power Company (Tepco) deu um passo histórico e imediatamente enfrentou um revés em seu ambicioso plano de recuperação financeira. A empresa reiniciou o reator número 6 da Usina Nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, na província de Niigata, após quase 14 anos offline desde o acidente de Fukushima. No entanto, menos de 24 horas depois, as operações foram suspensas após um alarme ser acionado no sistema de monitoramento, em um episódio que destaca os desafios do retorno da energia nuclear no Japão.

O restart ocorreu após a empresa receber a aprovação final da Autoridade de Regulação Nuclear. O processo de religação foi iniciado com a retirada das barras de controle. No dia seguinte, um alarme no sistema de monitoramento dessas barras forçou a parada planejada do reator. A Tepco informou que a unidade está estável e que não houve impacto radioativo externo, mas admitiu que a investigação da causa pode levar tempo indeterminado.

Este reator é peça central no novo plano de negócios da Tepco, aprovado pelo governo japonês, que prevê cortes de custos de ¥3,1 trilhões (cerca de US$ 20,2 bilhões) ao longo de uma década. A empresa projetava retornar à lucratividade no próximo ano fiscal, com um lucro líquido de ¥256 bilhões, justamente com base no pressuposto de que este reator estaria em operação. O plano amplo inclui racionalização de negócios, redução de investimentos e venda de ativos, como imóveis e ações, no valor de ¥200 bilhões em três anos.

A retomada de Kashiwazaki-Kariwa, a maior usina nuclear do mundo em capacidade, simboliza a política de “retorno à energia nuclear” do governo japonês. Após o desastre de 2011, o Japão desligou todos os seus reatores. Agora, busca fortalecer a segurança energética, reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e atender à crescente demanda de eletricidade, inclusive de data centers. Kashiwazaki-Kariwa é a 15ª usina a ser reiniciada.

Entretanto, a oposição pública e local permanece forte. Grupos contrários ao restart entregaram uma petição com quase 40 mil assinaturas, citando os riscos sísmicos na região, que sofreu um forte terremoto em 2007. Uma pesquisa local indicou que cerca de 60% dos residentes se opõem à medida. O prefeito de Kashiwazaki expressou decepção com o adiamento técnico, mas reforçou que a segurança deve ser a única prioridade, sem pressa por uma data específica.

Para a Tepco, relançar um reator próprio é um marco psicológico e financeiro crucial. A empresa ainda arca com os custos massivos de compensação e descomissionamento de Fukushima. O restart bem-sucedido de duas unidades em Kashiwazaki-Kariwa poderia aumentar os lucros da empresa em cerca de ¥100 bilhões por ano. Apesar do contratempo atual, a empresa afirma que continuará verificando a integridade do equipamento com segurança como prioridade máxima.

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