Primeira-ministra aposta em popularidade pessoal em eleição crucial

Takaichi aposta em popularidade para salvar o partido em eleição antecipada

Desafio da primeira-ministra é reconquistar base conservadora que migrou para legendas menores

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, dissolveu a Câmara Baixa e convocou eleições antecipadas para 8 de fevereiro, numa arriscada jogada para capitalizar sua elevada popularidade pessoal e tentar reconquistar a maioria parlamentar para o Partido Liberal Democrata (PLD). Apesar de suas taxas de aprovação superarem 60%, o apoio ao partido permanece estagnado em torno de 30%, um sinal de que seu carisma não se traduz automaticamente em votos para a legenda.

A decisão de antecipar as eleições é vista como uma tentativa de reverter as perdas sofridas pelo PLD, que viu seu antigo aliado, o Komeito, romper a coalizão de 26 anos e unir-se à oposição. Para manter a governabilidade, Takaichi formou uma nova e frágil aliança com o direitista Partido Inovação do Japão (Ishin), mas a lealdade do eleitorado conservador tradicional está em dúvida.

Analistas comparam a situação com a eleição de 2009, quando o então primeiro-ministro Taro Aso, com baixíssima popularidade, levou o PLD a uma derrota histórica. A diferença crucial agora é a força pessoal de Takaichi. No entanto, partidos conservadores menores, como o Sanseito, estão conduzindo campanhas agressivas que podem fragmentar o voto que a primeira-ministra tanto precisa para o PLD.

Os desafios internos se somam às pressões externas. Comentários de Takaichi sobre um eventual conflito em Taiwan deterioraram gravemente as relações com a China, resultando em sanções econômicas e tensões militares. No plano doméstico, a inflação e a queda dos salários reais são as principais preocupações dos eleitores, que ainda não sentem os efeitos das medidas de estímulo do governo.

A campanha eleitoral, que começa oficialmente nesta segunda-feira (27), será um teste decisivo para saber se o “Efeito Takaichi” é forte o suficiente para reunir o eleitorado conservador e garantir um mandato estável para seu partido e sua liderança.

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