Falta de socorro levou à morte por desidratação e fome em centro de imigração, diz perito

Morte de detenta em centro de imigração japônes era evitável, atesta médico em tribunal

Perito afirma que oportunidades de salvar Wishma Sandamali, que faleceu em 2021, foram perdidas em três momentos distintos

Um médico declarou ao Tribunal Distrital de Nagoya, nesta quarta-feira, que a morte da detenta do Sri Lanka, Wishma Sandamali, resultou de uma combinação de desidratação e fome. A família da falecida está processando o governo japonês por danos morais e materiais.

O Dr. Masamune Shimo, atuando como perito no caso, disse que a vida de Wishma poderia ter sido salva em três momentos distintos antes de seu falecimento, ocorrido em uma instalação de imigração em Nagoya em março de 2021. Segundo ele, a desidratação e a desnutrição reduziram a circulação sanguínea da detenta e causaram uma deficiência de vitamina B1, levando ao desenvolvimento de beribéri cardíaco. O estado de choque subsequente resultou em falência múltipla de órgãos.

A primeira oportunidade perdida, conforme o médico, ocorreu cerca de três semanas antes da morte, quando um exame de urina mostrou valores anormais indicando estado de inanição. Naquela ocasião, seria padrão realizar um exame de sangue e fornecer soro intravenoso.

Shimo também apontou que a pressão arterial de Wishma tornou-se imensurável, e uma respiração profunda anormal foi observada dois dias antes e no dia de sua morte. Nesses momentos, medidas como ventilação mecânica e diálise deveriam ter sido tomadas, e não seria improvável que sua vida pudesse ter sido preservada.

Wishma Sandamali foi levada para a instalação de imigração em agosto de 2020 e faleceu em março de 2021, aos 33 anos de idade. O processo judicial busca responsabilizar o Estado japonês pela falta de atendimento médico adequado.

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