Takaichi destaca iene fraco em campanha, criando contraste com política oficial
Declarações da primeira-ministra japonesa sobre a moeda ocorrem em meio a eleição antecipada para a Câmara Baixa, marcada para 8 de fevereiro
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, adotou um tom surpreendente durante a campanha para as eleições antecipadas da Câmara Baixa, destacando os benefícios de um iene mais fraco para a indústria exportadora do país. As declarações, feitas em um comício no sábado, pareciam estar em descompasso com a postura oficial do Ministério das Finanças, que tem se mostrado pronto a intervir nos mercados para conter a volatilidade excessiva da moeda.
“As pessoas dizem que o iene fraco é ruim agora, mas para as indústrias de exportação, é uma grande oportunidade”, afirmou Takaichi, que também é presidente do Partido Liberal Democrático (PLD). Ela citou setores como o de alimentos e automóveis como beneficiários, argumentando que a desvalorização serviu como um amortecedor contra tarifas internacionais. Horas depois, em uma tentativa de clarificação nas redes sociais no domingo, a premiê amenizou o tom, afirmando que não tem uma preferência pela direção da moeda e que seu objetivo é construir uma estrutura econômica resiliente às flutuações cambiais.
Esta não é a primeira vez que Takaiche demonstra mudanças de tom em assuntos econômicos durante a campanha. Dias antes, ela havia expressado entusiasmo por cortar a taxa de consumo sobre alimentos e bebidas, apenas para evitar totalmente o assunto em seus discursos de campanha no dia seguinte, causando confusão e levando um veterano do PLD a questionar publicamente a logística da proposta.
As eleições para a Câmara Baixa, marcadas para 8 de fevereiro, foram convocadas pela primeira-ministra em uma jogada arriscada para capitalizar sua alta popularidade pessoal, que chegou a atingir 78% de aprovação. O objetivo declarado é obter um mandato direto do povo e consolidar uma maioria parlamentar mais sólida para seu partido, que atualmente governa com uma coalizão frágil. Takaichi chegou a prometer que renunciaria imediatamente se a coalizão governista não conquistar a maioria dos assentos.
Enquanto a primeira-ministra faz campanha, o Ministro das Finanças, Satsuki Katayama, mantém uma retórica muito diferente, tendo emitido repetidas ameaças de ação para conter a depreciação do iene. A moeda atingiu mínimas de 18 meses, alimentando a inflação importada em um país que depende fortemente de recursos do exterior. O Banco do Japão sinalizou possíveis aumentos adicionais da taxa de juros em resposta à pressão de preços.
Analistas observam que a oscilação de Takaichi em temas fiscais e cambiais reflete a natureza arriscada de sua aposta eleitoral. Apesar de seu brilho pessoal, o PLD ainda sofre com a desconfiança dos eleitores devido a escândalos de financiamento de campanha e conexões com a Igreja da Unificação. A oposição, por sua vez, formou uma nova aliança centrista que busca se apresentar como uma alternativa ao governo.
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