Leilão de títulos nesta quinta testa confiança em política fiscal expansionista

Takaichi enfrenta teste crucial do mercado antes de eleição antecipada

Leilão de títulos de longo prazo mede confiança dos investidores na política fiscal expansionista do governo

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, enfrenta um teste decisivo dos mercados financeiros às vésperas das eleições antecipadas deste fim de semana. A aprovação dos investidores à sua agenda de estímulos fiscais será medida no leilão de títulos públicos de 30 anos que ocorre nesta quinta-feira, três dias antes da abertura das urnas. Takaichi espera que uma vitória eleitoral expressiva lhe dê um mandato claro para prosseguir com políticas expansionistas.

O Ministério das Finanças colocará à venda cerca de ¥700 bilhões (US$ 4,5 bilhões) em títulos do governo com vencimento em três décadas. Este prazo específico do título tem se mostrado particularmente sensível às preocupações com um possível afrouxamento da disciplina fiscal. No mês passado, esse segmento do mercado sofreu uma forte queda depois que os investidores reagiram negativamente ao compromisso da primeira-ministra de suspender por dois anos o imposto sobre consumo de alimentos, uma promessa que ecoou propostas da oposição.

A eleição, marcada para 8 de fevereiro, é vista como uma das mais imprevisíveis dos últimos anos e pode afrouxar os controles fiscais da nação mais endividada do mundo desenvolvido em relação ao seu PIB. Takaichi busca converter sua popularidade pessoal em apoio parlamentar para suas políticas e reforçar a posição de seu governo de coalizão.

A estratégia da primeira-ministra já foi batizada de “Takaichi Trade” pelos mercados, após o anúncio de um massivo pacote de estímulo de ¥21,3 trilhões no final do ano passado. O plano se baseia em três pilares: apoio ao custo de vida (incluindo a suspensão de sobretaxas sobre gasolina e subsídios energéticos), investimentos estratégicos em setores como IA e semicondutores, e reforço à defesa nacional.

Paralelamente, o governo aprovou o orçamento inicial para o ano fiscal de 2026, no valor recorde de 122,3 trilhões de ienes. A primeira-ministra defendeu que a proposta equilibra uma “economia forte” com a sustentabilidade fiscal, destacando que a proporção de dependência de títulos (a fração do orçamento financiada por nova dívida) deve cair para 24,2%, mantendo-se abaixo de 30% pelo segundo ano consecutivo.

No entanto, esta expansão fiscal ocorre em um momento de divergência política, com o Banco do Japão (BoJ) em um ciclo de aperto monetário. Em dezembro, o banco central elevou as taxas de juros para 0,75%, o nível mais alto em 30 anos. Enquanto o governo injeta estímulos, o BoJ tenta conter uma inflação persistente, criando um cenário econômico complexo que preocupa os investidores em títulos.

Analistas de mercado estimam que os rendimentos dos títulos japoneses de 10 anos podem atingir 3% este ano, ante pouco mais de 2% atualmente. O resultado do leilão de quinta-feira e, principalmente, o desfecho das eleições de domingo, serão cruciais para definir se Takaichi terá o aval para seguir com seu ambicioso programa de gastos ou se enfrentará maiores resistências.

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