Governo japonês elimina aviso de 2 meses para advogados de estrangeiros enfrentando deportação.

Japão acaba com notificação antecipada de deportação para advogados

Política de 16 anos, que dava dois meses de aviso, foi abolida com menos de uma semana de transição

A Agência de Imigração do Japão, subordinada ao Ministério da Justiça, anunciou oficialmente no dia 26 de janeiro o fim da prática de informar com antecedência os advogados sobre a data de deportação de seus clientes estrangeiros. A mudança, que já está em vigor desde o dia 1º de fevereiro, foi implementada com menos de uma semana de transição após o anúncio.

O sistema de notificação prévia aos advogados estava em vigor desde setembro de 2010. Por meio dele, os advogados que representavam estrangeiros enfrentando deportação podiam solicitar e ser informados sobre a data marcada com aproximadamente dois meses de antecedência. O objetivo era dar tempo para que cliente e advogado discutissem e preparassem possíveis recursos contra a deportação.

A Agência de Imigração justificou a revogação alegando “efeitos nocivos” da política anterior. Desde 2019, sete estrangeiros cujos advogados foram notificados desapareceram nos dois meses que antecediam a deportação. A agência também afirmou que alguns advogados teriam divulgado as datas em redes sociais, levando a picos de ligações e reclamações às suas unidades.

Agora, a agência só é obrigada a informar o próprio estrangeiro sobre a data de deportação, e esse aviso deve ser feito com apenas um mês de antecedência. A Federação Japonesa de Associações de Advogados criticou veementemente a mudança. A entidade afirma que a janela de um mês é insuficiente para preparar uma contestação jurídica adequada, o que violaria o direito a um julgamento justo garantido pela Constituição do Japão.

Embora a Agência de Imigração já tivesse sinalizado a intenção de acabar com as notificações de dois meses para advogados em julho de 2025, a decisão final só foi tornada pública em 26 de janeiro. As tentativas da Federação de Advogados de reverter a decisão não foram bem-sucedidas, e a nova política já está em execução.

Acompanhe mais atualizações no Japão em Pauta.