LDP do Japão aposta em políticos de escândalo de fundos em eleição antecipada
Decisão de confirmar candidaturas de 43 legisladores investigados gera críticas e questiona reforma política
O Partido Liberal Democrático (LDP) do Japão, no poder, endossou oficialmente 43 legisladores envolvidos no escândalo de fundos políticos secretos como candidatos nas eleições para a Câmara dos Representantes, marcadas para 8 de fevereiro. A decisão ocorre no contexto de uma eleição antecipada convocada pela primeira-ministra Sanae Takaichi, que dissolveu o parlamento após apenas três meses no cargo, numa tentativa de capitalizar sua popularidade e recuperar terreno após grandes perdas eleitorais recentes.
A medida é vista por analistas e pela oposição como um sinal de que o partido acredita ter superado a crise de legitimidade gerada pelo escândalo, que expôs um sistema de caixa dois por meio de doações partidárias não declaradas. A primeira-ministra Takaichi, no entanto, afirmou que “não encara a questão como um ‘rito de purificação’ já concluído” e que o importante é garantir que tais falhas não se repitam. Críticos argumentam que, sem uma investigação completa e uma reforma profunda do sistema de financiamento, a confiança pública não será restaurada.
O escândalo, que veio à tona há mais de dois anos, envolve a criação de fundos secretos por facções do próprio LDP, desviando parte das arrecadações de eventos partidários. Apesar das promessas de maior transparência contidas no programa eleitoral do partido para 2026, a decisão de confirmar a candidatura de tantos políticos diretamente ligados ao caso é interpretada como uma manobra para manter a base de apoio interna, essencial para uma campanha eleitoral curta e intensa.
A convocação das eleições para 8 de fevereiro cria um período de campanha de apenas 12 dias, iniciado em 27 de janeiro. Takaichi, a primeira mulher a liderar o Japão, justificou a dissolução da câmara baixa como uma necessidade de buscar um novo mandato popular para suas políticas de “finanças ativas responsáveis”, reforço das forças armadas e imigração mais rigorosa. Seu partido, porém, enfrenta um eleitorado tradicional que migra para partidos populistas de direita, além do desafio representado pela nova Aliança da Reforma Centrista, fusão entre a oposição tradicional e o antigo aliado Komeito.
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