Pesquisa revela divisão entre candidatos do partido no poder sobre proposta de zerar imposto sobre alimentos

Divisão no partido no poder sobre corte do imposto de consumo marca campanha no Japão

Enquanto Takaichi defende zerar imposto sobre alimentos por dois anos, pesquisa mostra candidatos do PLD divididos e outros partidos com propostas mais radicais

Uma pesquisa exclusiva revela uma profunda divisão entre os candidatos do Partido Liberal Democrata (PLD), do primeiro-ministro Sanae Takaichi, sobre a proposta de cortar o imposto de consumo sobre alimentos, bandeira central da campanha para as eleições de 8 de fevereiro. Enquanto a liderança do partido defende a medida como um alívio imediato para o custo de vida, muitos de seus próprios candidatos manifestam cautela, preocupados com a falta de um plano de financiamento claro e o impacto na já combalida disciplina fiscal do país.

De acordo com o levantamento, que ouviu candidatos de todos os partidos, metade dos candidatos do PLD defende que a taxa sobre alimentos seja reduzida a zero. No entanto, um grupo significativo de 18% prefere manter a alíquota atual de 10% por enquanto, e outros 24% sequer responderam à pergunta, um índice de abstenção notavelmente mais alto que o de outras legendas. Essa falta de consenso interno contrasta com a união em torno da proposta observada nas principais agremiações de oposição.

A primeira-ministra Sanae Takaiche descreveu a redução do imposto sobre alimentos e bebidas por dois anos como um “desejo antigo” e incluiu a “aceleração das discussões” para sua implementação nas promessas de campanha do partido. No entanto, tanto as fontes de financiamento quanto o cronograma para concretizar a medida permanecem vagos. O partido afirma apenas que o tema será discutido em um “conselho nacional” que incluirá governo e oposição.

A cautela dentro do PLD reflete um debate mais amplo sobre a política fiscal do governo Takaichi, que adotou uma postura expansionista. O aumento dos gastos, especialmente em áreas como seguridade social e defesa, já elevou as taxas de juros de longo prazo e contribuiu para a desvalorização do iene. Dentro do próprio partido, vozes influentes, incluindo o vice-presidente Taro Aso, que por muito tempo comandou o Ministério das Finanças, preferiram não se manifestar sobre a proposta de cortar o imposto, sinalizando discordância tácita.

Enquanto o PLD e seu parceiro de coalizão, o Partido da Inovação do Japão, defendem a redução temporária por dois anos, outras forças políticas apresentam propostas mais ousadas. A recém-formada Aliança Reformista Centrista, principal partido de oposição, defende a eliminação permanente do imposto sobre alimentos e bebidas, prometendo financiar a medida com lucros de fundos governamentais. Partidos como o Reiwa Shinsengumi e o Sanseito vão além e pregam a abolição completa do imposto de consumo.

Estimativas do Daiwa Institute of Research ilustram o desafio fiscal: zerar o imposto sobre alimentos custaria cerca de 5 trilhões de ienes anuais em receita perdida. Reduzir toda a alíquota para 5% consumiria 15 trilhões de ienes, e a abolição total do tributo deixaria um buraco de aproximadamente 31 trilhões de ienes nos cofres públicos. Até agora, os debates entre os partidos não aprofundaram soluções concretas para cobrir esses valores, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade das promessas.

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