Primeira-ministra propõe zerar imposto sobre alimentos para aliviar lares, mas especialistas alertam para riscos à dívida pública

Japão estuda zerar imposto sobre consumo de alimentos

Medida para aliviar orçamento das famílias é temporária e pode agravar dívida pública, alertam analistas

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, anunciou que o governo dará início a estudos para reduzir a zero a alíquota do imposto sobre consumo incidente sobre alimentos, atualmente fixada em 8%. A proposta, ainda em fase preliminar, tem como objetivo aliviar o peso no orçamento das famílias em meio ao aumento do custo de vida.

De acordo com fontes do governo, a redução seria uma medida temporária, mas especialistas em contas públicas já demonstram preocupação com o impacto fiscal. A arrecadação do imposto sobre consumo é uma das principais fontes de receita do governo japonês, e a eliminação da alíquota reduzida sobre alimentos poderia representar uma perda significativa em um momento de elevada dívida pública.

A iniciativa também gerou debate por sua aparente contradição com a postura defendida pela própria primeira-ministra. Takaichi sempre se apresentou como defensora de uma ‘política fiscal proativa e responsável’, mas a redução temporária de impostos sem uma contrapartida clara de cortes de gastos ou aumento de receita em outras áreas é vista por analistas como um movimento na direção oposta.

O governo ainda não detalhou o cronograma para a discussão do plano, nem apresentou estimativas oficiais do impacto da medida nos cofres públicos. A proposta deve passar por análise técnica antes de ser formalmente submetida ao parlamento, onde enfrentará resistência de alas mais preocupadas com a disciplina fiscal.

Acompanhe mais atualizações no Japão em Pauta.