Acusado de matar oficial de condicional diz que agiu por ordem de ‘voz divina’

Defesa alega insanidade em caso inédito de assassinato de oficial de condicional

Acusado diz ter seguido ordem de ‘voz divina’ para matar voluntário que o acompanhava

Em um julgamento inédito no país, um homem de 36 anos admitiu nesta terça-feira (17) ter assassinado o oficial de condicional voluntário responsável por sua reinserção social. O crime ocorreu em 2024, na província de Shiga, e marca a primeira vez na história do Japão que um profissional desse tipo é morto por uma pessoa sob seus cuidados, segundo o Ministério da Justiça.

Durante a primeira audiência do julgamento com juízes leigos, realizada no Tribunal Distrital de Otsu, o réu Kohei Iitsuka declarou: ‘É verdade. Eu fiz (o assassinato), seguindo a voz do meu deus guardião’. A declaração foi feita de forma direta, dando o tom do que se espera do caso.

A defesa de Iitsuka argumentou que ele era mentalmente incompetente no momento do crime ou, no mínimo, agia com capacidade diminuída. Os advogados descreveram que o acusado estava ‘sob o controle da voz dentro de sua cabeça’ quando atacou o voluntário, um ‘hogoshi’ que prestava assistência a ele como parte de seu programa de reabilitação.

A promotoria, por outro lado, ainda não apresentou sua tese completa, mas o reconhecimento do crime pelo réu coloca o foco do julgamento inteiramente em seu estado mental. O caso levanta questões complexas sobre o sistema de reabilitação de criminosos no Japão e os riscos enfrentados por voluntários que atuam na linha de frente da reintegração social.

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