Após romper os 50 mil, Nikkei 225 não deve chegar a 60 mil pontos em 2026
Analistas em Tóquio projetam alta moderada para o índice de ações japonês no próximo ano, com cenário base girando em torno dos 54 mil pontos.
Após um 2025 surpreendente, em que o índice Nikkei 225 superou a barreira dos 50 mil pontos em meio a negociações voláteis, analistas no mercado japonês apostam em uma alta moderada para o principal indicador da bolsa de Tóquio em 2026. A expectativa geral é de que a marca dos 60 mil pontos não seja alcançada no próximo ano.
No início de 2025, as previsões das principais instituições financeiras apontavam para um fechamento do ano em cerca de 45 mil pontos. O mercado, no entanto, surpreendeu. Após uma queda acentuada no primeiro trimestre, influenciada pela posse do presidente dos EUA, Donald Trump, e suas promessas tarifárias, o Nikkei se recuperou e atingiu uma máxima histórica de 52.411,34 pontos em 31 de outubro.
Entre os fatores que impulsionaram a alta de 2025 estão as expectativas de que a primeira-ministra Sanae Takaichi adotaria uma política fiscal mais branda – o “efeito Takaichi” -, melhores resultados corporativos, o boom global da inteligência artificial e a redução da incerteza em relação às tarifas de Trump ao longo do ano.
Estratégistas ouvidos pela reportagem concordam que o índice deve caminhar para a faixa dos 55 mil pontos em 2026. Para atingir a marca dos 60 mil, seria necessário que a euforia com a inteligência artificial e a inflação se mantivessem em patamares excepcionalmente elevados, uma condição vista como pouco provável no cenário base.
Uma questão importante para o próximo ano é se os preços continuarão subindo e se o iene permanecerá fraco – condições atualmente vistas como positivas para as ações. A inflação se manteve teimosamente alta ao longo de 2025, acima de 3%, o que elevou o valor nominal dos lucros corporativos. Paralelamente, o iene perdeu mais de 5% de seu valor ante o dólar desde que Takaichi assumiu a liderança do Partido Liberal Democrata.
Outro risco de queda apontado pelos analistas é um possível estouro da bolha da IA. Ações do setor negociadas em Wall Street enfrentaram dificuldades em meados de dezembro, e os papéis relacionados em Tóquio seguiram o movimento. Alguns especialistas argumentam que o desempenho das ações de IA ainda está alinhado com os fundamentos, mas o recente recuo do mercado reflete o ceticismo sobre se os maciços investimentos em infraestrutura conseguirão gerar lucros suficientes.
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