Associação do Shogi revoga norma que substituía jogadoras grávidas em torneios

Associação Japonesa de Shogi revoga polêmica regra sobre gravidez de jogadoras

Norma, que forçava substituição de atletas grávidas em torneios, foi eliminada após pressão de multicampeã que alertou para violação de direitos reprodutivos

A Japan Shogi Association anunciou a eliminação de uma das regras mais controversas de seu regulamento: a que determinava a substituição automática de jogadoras grávidas nos torneios de título. A mudança ocorre após um pedido formal de revisão feito pela multicampeã Kana Fukuma, que detém seis dos oito principais títulos femininos do shogi, um jogo de tabuleiro tradicional japonês. A atleta havia denunciado que a norma a forçava a “escolher entre um título e ter um filho”, restringindo severamente os direitos reprodutivos das profissionais.

A regra revogada estabelecia que, se a programação de uma partida por título coincidisse com o período de seis semanas antes até oito semanas após a data prevista para o parto, a jogadora seria substituída por outra competidora. Em comunicado oficial, a Associação reconheceu que suas explicações anteriores a patrocinadores e a algumas jogadoras transmitiram a falsa impressão de que não seria possível realizar ajustes nas datas, e se desculpou por essa falha, prometendo evitar a recorrência de tais equívocos.

A história pessoal de Fukuma foi o estopim do debate. Em dezembro de 2024, ela deu à luz seu primeiro filho. Durante a gravidez, o calendário de alguns de seus torneios foi ajustado, mas em duas disputas em que era desafiante, a falta de um acordo para mudar as datas resultou em derrotas por desistência, fazendo com que ela perdesse a chance de conquistar os títulos. Foi com base nessa experiência que a Associação criou, em abril deste ano, a norma agora revogada, alegando buscar a segurança da mãe e do bebê com base na Lei de Normas Trabalhistas.

Com a alteração, a Associação agora declara explicitamente em seu regulamento que a gravidez e o parto são motivos válidos para alterar as datas das partidas, comprometendo-se a fazer “todos os ajustes possíveis”. A entidade ressalva que, em circunstâncias onde seja fisicamente impossível remarcar uma partida ou garantir o local do evento, a substituição da jogadora ainda pode ocorrer, mas com a promessa de se oferecer medidas alternativas para compensá-la.

Como parte da resposta à crise, a Japan Shogi Association também criará um comitê de especialistas, previsto para iniciar seus trabalhos já em janeiro do próximo ano. Este grupo terá a missão de reconsiderar as regras aplicáveis a todos os torneios oficiais, não apenas os femininos, e deverá apresentar um esboço final de suas recomendações até o final de abril de 2026. A presidente da Associação, Ichiyo Shimizu – a primeira mulher a liderar a entidade em seus 101 anos de história –, afirmou que a revisão é um ponto de partida para construir um ambiente onde todos os profissionais possam competir com tranquilidade em várias fases da vida, incluindo a maternidade.

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