Pequenas empresas japonesas enfrentam desafios para aumentar salários em 2026
Pressão inflacionária e dificuldade de repassar custos limitam capacidade de PMEs em acompanhar grandes corporações nas negociações salariais da primavera
As negociações salariais da primavera de 2026 (shuntō) começaram no Japão com um objetivo claro de ambos os lados: conseguir aumentos que superem a inflação. Enquanto grandes empresas, muitas com resultados financeiros sólidos, estão positivas sobre a continuidade de aumentos robustos, as pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma realidade muito mais difícil devido a condições financeiras severas.
Dados recentes mostram que, apesar das dificuldades, a pressão por aumentos salariais nas PMEs é intensa. Uma pesquisa das câmaras de comércio japonesas revela que 82% das pequenas e médias empresas já implementaram ou planejam implementar aumentos salariais no ano fiscal de 2025. Entre as empresas com 20 funcionários ou menos, essa proporção é de 74,3%. O aumento médio mensal para um funcionário permanente nessas empresas foi de 13.183 ienes, uma elevação de 4,73%.
Ainda assim, o cenário é desafiador. A inflação prolongada tem pressionado os custos operacionais, e para muitas PMEs, repassar esses custos mais elevados para os preços dos seus produtos e serviços continua sendo uma tarefa complexa. Este descompasso limita sua capacidade de financiar aumentos salariais sustentáveis. Um estudo do Banco Central para o Comércio e Indústria (Shoko Chukin) aponta que as PMEs planejam uma taxa média de aumento salarial de 3,03% para 2026. Empreses com déficit, mesmo enfrentando dificuldades, ainda projetam aumentos de cerca de 3,07%, muitas vezes motivadas pela necessidade de reter funcionários em um mercado de trabalho competitivo.
Esta pressão por “aumentos defensivos”, feitos mais para evitar a perda de talentos do que por saúde financeira, é uma realidade para muitas pequenas empresas. Em regiões como Kagoshima, onde a taxa de emprego local de recém-formados é baixa, os empresários relatam a necessidade de aumentar salários mesmo diante de lucros reduzidos, em um esforço para se tornarem empregadores mais atrativos.
Um ponto crítico para viabilizar esses aumentos é a chamada “repassagem de custos trabalhistas”. Para criar o recurso necessário para aumentar salários, as PMEs precisam conseguir negociar ajustes de preços com suas grandes clientes. A Comissão de Comércio Justo do Japão tem reforçado a fiscalização sobre práticas que impedem essa repassagem, classificando a recusa injustificada a aumentos solicitados com base em custos trabalhistas como uma possível violação das leis que protegem as subcontratadas.
Analistas e editoriais de grandes veículos defendem que, para que a economia japonesa entre em um ciclo virtuoso de crescimento, é essencial que os aumentos salariais vigorosos vistos nas grandes corporações se espalhem de forma significativa para o setor de PMEs, que emprega a maior parte da força de trabalho do país. A capacidade das pequenas empresas de ajustarem seus preços e melhorarem sua produtividade será determinante para reduzir a crescente disparidade salarial e aliviar a pressão sobre o orçamento das famílias.
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