BOJ mantém política monetária inalterada em meio a incertezas pré-eleitorais
Decisão ocorre um mês após último aumento e em contexto de alta volatilidade nos títulos públicos e pressões inflacionárias
O Banco do Japão (BOJ) optou por manter sua taxa básica de juros inalterada, em linha com as expectativas do mercado financeiro. A decisão, tomada na reunião de política monetária de dois dias encerrada nesta sexta-feira, ocorre a apenas um mês do último movimento de alta, que elevou a taxa para 0,75%, e em um contexto marcado pela proximidade das eleições gerais de fevereiro e pela volatilidade nos mercados.
A pressão de alta nos rendimentos dos títulos do governo japonês (JGBs), impulsionada não apenas pela postura do banco central, mas também por preocupações com uma política fiscal potencialmente mais expansionista, influenciou o ambiente de decisão. O rendimento do título de 10 anos, benchmark do mercado, chegou a tocar 2,38% nesta semana, patamar mais alto em 27 anos.
O governador do BOJ, Kazuo Ueda, deve se pronunciar em coletiva de imprensa ao final do dia. Paralelamente à decisão sobre os juros, o banco central divulgou sua atualização trimestral de perspectivas para a economia e a inflação. O relatório projeta que os preços ao consumidor, excluindo alimentos frescos, subirão 2,7% no ano fiscal que termina em março de 2026. Para o exercício seguinte, a previsão é de alta de 1,9%, enquanto para o ano fiscal de 2027 a projeção é de inflação em 2%.
Analistas apontam que a trajetória de alta dos juros dos JGBs se intensificou desde que a primeira-ministra Sanae Takaichi, vista como uma “pomba” em política fiscal e monetária, assumiu o cargo em outubro. O rendimento do título de 10 anos, que estava na casa de 1,6% antes da posse, vem subindo de forma constante desde então, refletindo o nervosismo do mercado.
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