Banco do Japão sinaliza continuidade dos aumentos de juros para 2026
Decisão histórica eleva taxa básica para 0,75%, maior nível em três décadas, com inflação no radar
O Banco do Japão (BOJ) deu um passo decisivo em sua política monetária ao elevar sua taxa básica de juros para 0,75%, o patamar mais alto em 30 anos. A decisão, tomada por unanimidade, reflete uma crescente confiança dentro do banco central de que a economia japonesa está se aproximando de maneira sustentável da sua meta de inflação de 2%. O governador Kazuo Ueda, no entanto, manteve um tom cauteloso, evitando especificar o momento exato do próximo movimento, mas deixou claro que a trajetória de aperto monetário deve continuar no próximo ano.
Em coletiva de imprensa após o anúncio, Ueda afirmou que a política será ajustada dependendo do desenvolvimento da economia e dos preços. Ele projetou que o mecanismo de aumento conjunto de salários e preços deve se manter, indicando que as condições para a normalização da política estão se consolidando. Esta foi a segunda alta de juros do BOJ neste ano, marcando uma mudança gradual após uma longa fase de estímulos monetários extremos.
As projeções do banco central indicam que a inflação core do país deve desacelerar para abaixo da meta de 2% no primeiro semestre do ano fiscal de 2026, para então retomar uma trajetória de crescimento gradual em direção ao objetivo. Apesar do recente aumento, os juros reais – descontada a inflação – ainda são considerados significativamente baixos, e as condições financeiras globais permanecem acomodatícias para apoiar a atividade econômica.
A reação dos mercados foi imediata. O iene se depreciou frente ao dólar, atingindo a faixa de 157 ienes por dólar, enquanto os rendimentos dos títulos do governo japonês de longo prazo subiram, com a taxa do título de 10 anos alcançando temporariamente 2,1%. Analistas interpretaram o movimento cambial como um sinal de que os investidores acreditam que o BOJ continuará a elevar juros de forma lenta e gradual, sem mudanças bruscas no ritmo.
Especialistas do mercado financeiro avaliam que o ciclo de aperto deve seguir um ritmo de aproximadamente um aumento a cada seis meses, com o próximo movimento mais provável em meados de 2026. O foco principal do banco será o desenrolar das negociações salariais da primavera (Shunto) e a persistência da pressão inflacionária. O caminho futuro dos juros dependerá fundamentalmente de quão firmemente a inflação se estabelecer em torno da meta desejada.
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