Dosanko: a raça nativa que o Japão luta para preservar em parque de Osaka
Com apenas cerca de mil exemplares no país, cavalos símbolos de Hokkaido ganham novo propósito com turismo ecológico e cultural
Em Kashiwara, na província de Osaka, um parque equestre singular assume uma missão de conservação: proteger e dar um novo futuro aos cavalos da raça Dosanko, uma das oito raças nativas do Japão que hoje conta com apenas cerca de 1.000 exemplares em todo o país. A iniciativa combina preservação genética com experiências culturais, permitindo que visitantes vistam roupas tradicionais japonesas e desfrutem de passeios a cavalo com esses animais gentis e historicamente importantes.
Operado por Masashi Yokoyama, de 71 anos, o “Japanese Stallion Horse Land” oferece planos como a “Experiência de Equitação com Kimono e Cosplay”, com duração de aproximadamente 90 minutos e custo de 9.000 ienes por pessoa. Originalmente de Hokkaido, a raça Dosanko possui a maior população entre os cavalos nativos japoneses, mas seu número despencou de mais de 2.900 animais no ano fiscal de 1994 para apenas 1.056 em 2024. A Associação de Assuntos Equinos do Japão reconhece a importância crítica de sua conservação.
Os Dosanko, também conhecidos como Hokkaido Washu, são cavalos robustos, adaptados ao clima severo do norte do Japão. Com altura que varia entre 1,30m e 1,40m, corpo compacto e pernas fortes, eles se distinguem por uma andadura lateral única que proporciona uma montagem suave e estável, especialmente em terrenos acidentados. Seu temperamento dócil e confiável os tornou companheiros ideais para o trabalho agrícola e florestal em Hokkaido por séculos.
Além do valor turístico e cultural, os Dosanko estão sendo redirecionados para funções ambientais inovadoras. Em Hokkaido, uma experiência pioneira da Universidade de Hokkaido utiliza os animais no manejo florestal, onde pastam em bosques de bambu, ajudando a regenerar a diversidade de plantas nativas. Este método, que mantém nutrientes no solo, contrasta com a remoção mecânica agressiva e demonstra o potencial ecológico sustentável da raça.
O parque em Kashiwara funciona de terça a sábado, das 10h às 17h, e está localizado a aproximadamente 8 minutos de carro da estação Domyoji. A iniciativa representa um modelo de como o turismo de experiência pode gerar recursos e conscientização necessários para salvar um patrimônio genético e cultural do Japão da extinção, reconectando as novas gerações com a história rural do país.
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