CEO da Uber visita Kaga, em Ishikawa, em estratégia para expansão no Japão

Uber mira cidades termais do interior para abrir o fortificado mercado japonês de táxis

Frente ao envelhecimento e êxodo rural, reguladores começam a permitir o serviço peer-to-peer em locais como Kaga, na província de Ishikawa

Em uma manhã cinzenta de dezembro, Dara Khosrowshahi, CEO global da Uber, posicionou-se diante dos antigos escritórios municipais de concreto de Kaga, uma pequena cidade de águas termais na província de Ishikawa, e chamou um carro pela plataforma. O gesto simbolizou uma aposta estratégica da gigante do transporte por aplicativo para, finalmente, obter uma fatia maior de um dos maiores mercados de táxi do mundo, que sempre foi uma fortaleza inexpugnável.

Desde sua entrada no Japão em 2014, a empresa enfrentou regulamentações rigorosas que limitavam seu aplicativo a chamar apenas táxis licenciados, protegendo fortemente a indústria local. Contudo, as pressões demográficas começam a forçar uma mudança. O interior japonês está se esvaziando com o declínio populacional do país, secando a fonte de motoristas de transporte público e deixando muitos idosos sem opções de locomoção.

Kaga está entre as poucas áreas provinciais onde legisladores permitiram a operação de ride-sharing peer-to-peer, modelo que definiu a ascensão global da Uber. É por essas brechas, abertas pela necessidade, que a companhia espera finalmente avançar em um mercado que até agora resistiu ao seu modelo de negócios tradicional.

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