Nissan vende fábrica na África do Sul à chinesa Chery em meio a drástica reestruturação
Montadora japonesa enfrenta uma das maiores crises de sua história, com prejuízos bilionários e plano agressivo de recuperação
A fabricante chinesa Chery Automobile, maior exportadora de carros da China, confirmou a aquisição da fábrica da Nissan em Rosslyn, Pretória, na África do Sul. O anúncio, feito nesta sexta-feira (23), representa um marco na expansão global das montadoras chinesas e ocorre no contexto de uma grave crise financeira que obriga a Nissan a tomar medidas extremas para sobreviver.
A transação, que inclui terrenos, edifícios e ativos relacionados, inclusive uma unidade de estampagem adjacente, está prevista para ser concluída em meados de 2026. A Chery comprometeu-se a absorver a maior parte da força de trabalho local, mantendo as condições contratuais praticamente inalteradas. Este movimento fortalece a presença da Chery no maior mercado da África, onde o grupo (incluindo as marcas Omoda, Jaecoo e Jetour) já vende cerca de 5.000 veículos por mês.
Para a Nissan, a venda é apenas uma peça de um plano de recuperação muito mais amplo e doloroso. A montadora japonesa anunciou recentemente que enfrentou um prejuízo líquido de 6709 bilhões de ienes (aproximadamente 45 bilhões de dólares) no ano fiscal de 2024, o terceiro maior prejuízo de sua história. Em resposta, a empresa lançou o plano “Re:Nissan”, que inclui o fechamento de sete fábricas em todo o mundo até 2027 e a demissão de 20 mil funcionários, o que representa cerca de 15% de sua força de trabalho global.
Em um sinal claro da profundidade da crise, a Nissan também concluiu a venda de seu icônico prédio da sede global em Yokohama, no Japão, por 970 bilhões de ienes (cerca de 45 bilhões de yuans). O comprador é um consórcio que inclui a empresa chinesa de autopeças Minth Group e a gestora americana KKR. A Nissan alugará o prédio de volta para continuar usando-o como sede, em uma operação conhecida como “venda e retrolocação” para gerar caixa imediato.
O CEO da Nissan, Ivan Espinosa, que assumiu o cargo em abril de 2025, descreveu a situação atual como um “sinal de alarme” e afirmou que a empresa tem “uma montanha para escalar”. Além dos cortes, a empresa pretende reduzir drasticamente a complexidade de seus componentes, acelerar o ciclo de desenvolvimento de veículos e focar em seis mercados-chave: Estados Unidos, Japão, China, Europa, Oriente Médio e México.
A queda da Nissan é emblemática das mudanças tectônicas na indústria automotiva global. Enquanto marcas chinesas como a Chery expandem agressivamente seus negócios internacionais, a Nissan sofre com uma linha de produtos que envelheceu, atrasos na transição para a eletrificação e forte concorrência. No próprio mercado japonês, a Nissan ficou fora da lista dos dez carros mais vendidos em 2025, um reflexo de suas dificuldades internas.
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