Varejistas japoneses aceleram corrida por preços baixos em meio à inflação
Estratégias vão desde mudança de ingredientes até inovações tecnológicas para cortar custos e atrair consumidores cautelosos
As principais redes de varejo do Japão estão em uma competição acirrada para oferecer produtos a preços reduzidos. O movimento é uma resposta direta à inflação persistente, que tem levado os consumidores a apertar os cordões da bolsa e repensar seus hábitos de consumo.
De acordo com análises do setor, a indústria de distribuição se prepara para um 2026 desafiador, onde a pressão de custos com mão de obra e matérias-primas continua alta. Em 2025, mais de 20.000 itens entre alimentos e bebidas fabricados por grandes empresas tiveram seus preços majorados, um reflexo direto do aumento do custo de pessoal e dos preços das matérias-primas. Embora o valor médio das vendas (ticket médio) tenha aumentado devido a esses reajustes, a maioria das empresas enfrenta uma realidade difícil: a redução ou estagnação no número de clientes, resultado de uma postura mais econômica por parte dos consumidores.
Dentro deste cenário, diferenciar produtos apenas pelo preço se torna uma tarefa cada vez mais complexa para as redes. A solução encontrada tem sido buscar eficiências em outras áreas, como a revisão de embalagens e, de forma mais impactante, a substituição de ingredientes por alternativas mais econômicas.
Um exemplo concreto dessa estratégia vem da gigante das lojas de conveniência, Lawson. A empresa anunciou que, a partir de fevereiro, passará a vender seus tradicionais rolos de sushi festivos (ehomaki) na região de Tóquio utilizando uma mistura de arroz que inclui 10% da variedade Calrose, importada dos Estados Unidos. A mudança permite oferecer o produto por 430 ienes, um valor 60 ienes mais barato do que o ehomaki de salada feito apenas com arroz japonês. A rede informou que as encomendas antecipadas para o novo produto têm sido robustas, indicando boa receptividade do público à proposta de custo-benefício.
Além de adaptações no mix de produtos, as redes também investem em tecnologia para ganhar eficiência operacional e conter custos. A própria Lawson já opera lojas de próxima geração, equipadas com câmeras de IA que analisam o comportamento do cliente para fazer recomendações personalizadas em telas digitais, e robôs que auxiliam em tarefas como preparo de alimentos e reposição de mercadorias pesadas. Essas inovações fazem parte de um objetivo mais amplo da empresa: reduzir a carga de trabalho dos funcionários nas operações das lojas em 30% até o ano fiscal de 2030.
A tendência para o setor em 2026 aponta para uma intensificação dessa competição. Especialistas preveem que a consolidação via fusões e aquisições, assim como a expansão para novas áreas geográficas e de negócio, serão movimentos-chave para as empresas se fortalecerem neste ambiente econômico pressionado.
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