Comissão antitruste japonesa apura uso não autorizado de notícias por IA

Japão inicia investigação antitruste sobre uso de notícias em buscas com IA

Órgão de defesa da concorrência mira gigantes tecnológicas nacionais e estrangeiras por uso não autorizado de conteúdo jornalístico

A Comissão de Comércio Justo do Japão (JFTC) anunciou a abertura de uma investigação sobre os serviços de busca que utilizam inteligência artificial generativa. O órgão antitruste suspeita que o uso não autorizado de artigos de veículos de comunicação por empresas de tecnologia na exibição de respostas pode configurar um abuso de posição dominante, violando a lei de concorrência do país.

A investigação terá como alvo tanto empresas japonesas quanto estrangeiras. Entre as companhias que serão escrutinadas estão a japonesa LY Corp. (controladora do LINE Yahoo) e as norte-americanas Google e Microsoft, que oferecem serviços de busca com IA. Operadores de IA conversacional, como a OpenAI (desenvolvedora do ChatGPT) e a startup Perplexity AI, também estão no escopo do inquérito.

Um porta-voz da comissão esclareceu que o objetivo da investigação não é uma repressão punitiva, mas obter uma melhor compreensão do mercado e das práticas em uso. A decisão ocorre em um contexto de crescentes tensões entre a indústria de tecnologia e a de mídia. Recentemente, organizações de notícias japonesas protocolaram queixas contra a Perplexity AI, alegando violação de direitos autorais pelo uso de artigos jornalísticos sem permissão em seu sistema de IA conversacional.

O cerne da preocupação da JFTC reside no chamado “zero-click search”, onde as respostas geradas pela IA resumem informações diretamente, desincentivando os usuários de clicar e visitar os sites das fontes originais. A Associação de Jornais do Japão alertou que essa prática prejudica o ciclo de receita das agências de notícias, que dependem do tráfego em seus portais para financiar o jornalismo.

A nova investigação será conduzida como uma extensão de um relatório publicado pela própria comissão em 2023. Na ocasião, o órgão já havia alertado que alterações contratuais unilaterais por grandes empresas de tecnologia, que reduzissem significativamente os pagamentos a veículos de comunicação por seus artigos, poderiam violar a lei antitruste.

O movimento do Japão se alinha a ações regulatórias em outras partes do mundo. A Comissão Europeia, por exemplo, já iniciou uma investigação formal contra o Google, suspeitando que a empresa use conteúdo de editoras e do YouTube sem compensação adequada para treinar seus sistemas de IA, em possível violação das regras de concorrência da UE.

Acompanhe mais atualizações no Japão em Pauta.

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