Japão reforça compromisso climático global na COP30
Na contramão da saída dos EUA, país asiático apresenta metas de redução de 60% até 2035 e defende multilateralismo
O Japão reafirmou publicamente seu compromisso inabalável com o Acordo de Paris e a meta de limitar o aquecimento global a 1.5°C, mesmo diante da recente decisão dos Estados Unidos de se retirar de entidades internacionais de combate às mudanças climáticas. A posição foi defendida pelo ministro do Meio Ambiente, Hirotaka Ishihara, durante a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém, Brasil, em novembro de 2025.
Em seu discurso ministerial, Ishihara destacou que o décimo aniversário do Acordo de Paris reforça a importância de avançar os esforços globais de descarbonização com base no multilateralismo. Ele enfatizou que a mudança climática é um desafio iminente para toda a humanidade, exigindo ação coletiva unida. O ministro também afirmou que o Japão continuará a buscar o envolvimento dos Estados Unidos nos esforços internacionais contra a mudança climática, considerando sua participação como fundamental.
Como parte desse compromisso, o Japão apresentou metas nacionais atualizadas e ambiciosas, incluindo a redução de emissões de gases de efeito estufa em 60% até 2035 e 73% até 2040, comparadas aos níveis de 2013. O objetivo final é alcançar a neutralidade de carbono até 2050. O país informou ter registrado uma redução de aproximadamente 27% em suas emissões na década até 2023.
Internamente, a posição do governo enfrenta pressões. Mais de 450 cidadãos japoneses entraram com uma ação judicial coletiva no Tribunal Distrital de Tóquio, argumentando que as metas climáticas do país ainda não são ambiciosas o suficiente para cumprir o objetivo de 1.5°C e “ameaçam nossas vidas”. O processo, que pede uma indenização simbólica, reflete uma preocupação pública crescente, especialmente após o verão mais quente já registrado no país.
Na esfera internacional, o Japão está expandindo suas iniciativas de cooperação. Um dos principais mecanismos é o Mecanismo de Crédito Conjunto, que agora conta com 31 países parceiros, incluindo uma nova cooperação com a Índia. Este mecanismo visa alcançar reduções e remoções globais de emissões da ordem de 200 milhões de toneladas até 2040. O país também promove a Comunidade de Emissões Zero da Ásia, uma plataforma para transição energética regional, e anunciou a intenção de sediar uma sessão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas em 2027.
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