Britânico é preso após morder policial durante abordagem de rotina em Kobe
Incidente reacende debate sobre a prática do ‘shokumu shitsumon’, os questionamentos de ofício da polícia japonesa
A polícia da província de Hyogo prendeu um cidadão britânico de 56 anos no último fim de semana, após um confronto físico durante uma abordagem de rotina conhecida como ‘shokumu shitsumon’. O homem, que trabalha em tempo parcial e não tem endereço fixo, teria mordido o polegar direito de um policial de 25 anos, causando ferimentos leves. Ele foi detido por obstrução das funções policiais e pode responder também por lesão corporal.
O incidente ocorreu no bairro de Ikuta, em Kobe, na noite do dia 18 de janeiro. Um agente em patrulha considerou suspeito que o homem olhasse para a viatura e depois se afastasse, decidindo abordá-lo para o questionamento de ofício. O britânico tentou se esquivar, entrando em um konbini (loja de conveniência) e, posteriormente, no banheiro do estabelecimento. Ao sair, a interrogação foi retomada e a situação escalou para a agressão.
Durante interrogatório, o homem admitiu ter mordido o policial, justificando que o agente ‘não o deixava em paz’ e que ‘ele era ruim’. A prática do ‘shokumu shitsumon’, embora legal no Japão, é frequentemente criticada por sua subjetividade. Oficialmente, serve para que policiais abordem pessoas com comportamento suspeito e previnam crimes. Na prática, o critério para definir o que é ‘suspeito’ é amplo e arbitrário, afetando desproporcionalmente estrangeiros, que podem ser questionados sobre seu status de residência.
Especialistas e guias de viagem costumam recomendar que turistas sempre portem seus passaportes e cooperem com calma durante essas abordagens, por mais incômodas que sejam. A não cooperação pode levar a detenção, e a reação violência, como no caso de Kobe, agrava drasticamente a situação legal. Pessoas presas no Japão podem ficar até 23 dias sob custódia antes de uma audiência inicial, e novas acusações podem reiniciar esse prazo.
Embora a prática gere desconforto, sua frequência não é alta para a maioria dos residentes. O caminho mais seguro, segundo entendidos, é responder às perguntas de forma breve e direta, apresentando identificação quando solicitado, para encerrar o mais rápido possível uma situação que, apesar de tudo, está dentro da lei local.
Acompanhe mais atualizações no Japão em Pauta.






