Corte de subsídios na China causa primeira queda nas vendas globais da Toyota em 11 meses.

Corte de subsídios na China impacta vendas globais da Toyota

Queda de 12% no maior mercado da Ásia reverte tendência de crescimento e reflete desafios geopolíticos e de transição energética

A Toyota Motor Corporation registrou queda nas vendas e na produção global em novembro de 2025, interrompendo uma sequência de crescimento. O desempenho foi puxado principalmente por uma retração acentuada no mercado chinês, onde o governo descontinuou subsídios que incentivavam a compra de carros elétricos e eficientes. As vendas globais, incluindo as subsidiárias Daihatsu e Hino, recuaram 1,9% na comparação com novembro do ano anterior, totalizando 965.919 unidades. A produção mundial encolheu 3,4%, para 934.001 veículos.

No estratégico mercado chinês, as vendas das marcas Toyota e Lexus despencaram 12% no mesmo período. A montadora atribuiu o resultado principalmente ao término dos subsídios governamentais para troca de veículos nas principais cidades, cujos fundos se esgotaram. Este movimento ocorre em um momento de tensões diplomáticas entre China e Japão, que começaram em novembro após comentários da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan, que irritaram Pequim. Em resposta, a China emitiu um alerta para que seus cidadãos evitem viajar ao Japão.

A produção da Toyota apresentou um cenário desigual ao redor do globo. Enquanto as fábricas na Tailândia aumentaram a produção em 15% e nos Estados Unidos em 9%, a fabricação de veículos recuou 14% na China, 9,7% no Japão e 7,9% no Reino Unido. Esses números destacam a dependência e a sensibilidade das operações globais da montadora às condições de um único mercado.

O panorama competitivo na China se torna cada vez mais desafiador para as montadoras japonesas. Dados do setor mostram que a participação de mercado das marcas japonesas no país caiu para cerca de 10,8% em 2025, quase metade do pico de 24,1% registrado em 2020. Enquanto isso, as marcas chinesas domésticas ampliaram sua fatia para 58,3% do mercado. No ranking de vendas de novembro, a Toyota apareceu em sexto lugar no mercado chinês de veículos de passageiros, com 147.447 unidades, ficando atrás de líderes como BYD, Geely e Chery.

Outras montadoras japonesas também sentiram pressão. A Honda, por exemplo, viu suas vendas globais caírem 15% em novembro, com uma queda de 34% apenas na China, marcando o 22º mês consecutivo de retração no país. A Nissan, por outro lado, teve um desempenho misto: a produção global caiu 4,2%, mas a produção na China cresceu 22%, impulsionada pela boa recepção de novos modelos elétricos lançados localmente.

O cenário global para a indústria automotiva continua complexo, com pressões regulatórias e geopolíticas. Recentemente, a União Europeia decidiu revogar uma proibição efetiva aos motores de combustão, o que pode oferecer mais flexibilidade para montadoras tradicionais. Simultaneamente, nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump sinalizou a imposição de tarifas elevadas sobre carros e peças importadas, visando diretamente fabricantes como a Toyota. Em um gesto aparente para amenizar tensões comerciais, a Toyota anunciou que enviará três modelos fabricados nos EUA de volta ao Japão.

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