Exportações japonesas superam barreiras tarifárias e registram crescimento em 2025
Cenário complexo mostra economia resistente, com queda histórica nos EUA compensada por demanda na Ásia e Europa
As exportações do Japão encerraram o ano de 2025 com um crescimento de 3,1% em relação ao ano anterior, demonstrando resiliência em um cenário internacional marcado por barreiras comerciais. O desempenho foi liderado pelos fortes embarques de partes eletrônicas e produtos alimentícios, segundo dados do Ministério das Finanças do Japão divulgados nesta quinta-feira. O resultado positivo anual, no entanto, mascara uma realidade complexa: as vendas para os Estados Unidos, principal parceiro comercial do país, registraram sua primeira queda anual desde a pandemia, com uma retração de 4,1%, pressionadas sobretudo por veículos e máquinas para fabricação de semicondutores. Esta foi a pior performance para o mercado americano desde 2016, desconsiderando os anos de crise sanitária global.
Enquanto o fluxo comercial com os EUA enfrenta obstáculos, outras regiões se mantiveram como motores do crescimento. As exportações para a Europa e para a Ásia (excluindo a China) permaneceram sólidas ao longo do ano. As vendas para a China, maior parceiro comercial do Japão, tiveram uma ligeira contração de 0,4% no acumulado do ano. Analistas apontam que o crescimento global foi sustentado por uma combinação de demanda externa robusta, um iene mais fraco que aumentou a competitividade dos produtos japoneses e um impacto das tarifas americanas menos severo do que o inicialmente temido pelo mercado.
Os dados mensais de dezembro corroboram a tendência de recuperação, mas com nuances. As exportações registraram o quarto mês consecutivo de alta, com um crescimento de 5,1% na comparação com dezembro de 2024. A demanda da China se manteve estável no mês, com alta de 5,6%, surpreendendo positivamente em meio a tensões diplomáticas entre os dois países. No entanto, o desempenho para os EUA em dezembro foi particularmente fraco, com uma queda abrupta de 11,1% ante o mesmo mês do ano anterior, revertendo um aumento de 8,8% observado em novembro.
O setor automotivo, tradicional carro-chefe das exportações japonesas, foi o mais afetado pelas tarifas impostas pela administração do presidente Donald Trump. Após meses de negociações, Tóquio e Washington fecharam um acordo comercial em setembro que, apesar de ter reduzido a alíquota inicialmente proposta, manteve uma tarifa de 15% sobre a importação de automóveis japoneses nos EUA. Essa medida continua a pressionar os fabricantes, que agora enfrentam a escolha entre absorver parte do custo para manter a participação de mercado ou repassá-lo ao consumidor final.
Apesar da queda nas exportações, o Japão manteve um superávit comercial com os EUA em 2025, no valor de 7,52 trilhões de ienes (cerca de 47,5 bilhões de dólares), ainda que 12,6% menor que o registrado em 2024. O quadro geral do comércio exterior japonês, no entanto, ficou no vermelho, com um déficit total de 2,65 trilhões de ienes, impulsionado principalmente pelo déficit nas transações com a China. Especialistas do Norinchukin Research Institute alertam que, apesar do crescimento atual ser puxado por semicondutores, riscos geopolíticos crescentes e uma possível desaceleração do consumo americano podem tornar este ritmo insustentável no médio prazo.
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