Investigação criminal contra chairman do Fed amplia crise institucional nos EUA
Jerome Powell classifica processo como retaliação de Trump e senador republicano promete bloquear nomeações para o banco central
O chairman do Federal Reserve, Jerome Powell, tornou pública uma investigação criminal movida pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, qualificando-a como uma retaliação direta do governo do presidente Donald Trump. A investigação, anunciada por Powell em um vídeo no domingo, diz respeito a suas declarações ao Congresso em junho sobre o projeto de renovação da sede do banco central em Washington. Powell, no entanto, sustenta que o verdadeiro motivo é a pressão contínua da Casa Branca para que o Fed acelere os cortes nas taxas de juros.
Em sua declaração, Powell foi enfático ao afirmar que a ação judicial “deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua da administração”. Ele argumentou que a ameaça de acusações criminais é consequência do Fed definir as taxas de juros com base em sua avaliação técnica, e não seguindo as preferências do presidente. “A questão central é se o Fed conseguirá continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas, ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação”, declarou.
A reação no campo republicano foi imediata e significativa. O senador Thom Tillis, membro influente do Comitê Bancário do Senado, anunciou que se oporá à confirmação de qualquer nomeação de Trump para o Federal Reserve até que as questões legais envolvendo Powell sejam resolvidas. Tillis classificou a investigação como um exemplo de tentativa de minar a independência do banco central. Sua oposição pode paralisar futuras nomeações, já que o comitê está dividido em 13 democratas e 11 republicanos.
O presidente Trump negou qualquer envolvimento na decisão do Departamento de Justiça. Em entrevista, afirmou não saber nada sobre o caso, mas repetiu suas críticas a Powell, dizendo que o chairman “não é muito bom no Fed e não é muito bom em construir edifícios”. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, também negou que Trump tenha direcionado a investigação, mas reafirmou o direito do presidente de criticar o chairman do Fed.
Os mercados financeiros reagiram com nervosismo à notícia, refletindo preocupações com a estabilidade institucional. As bolsas europeias e os futuros de Wall Street abriram em queda, enquanto ativos de refúgio como o ouro registraram valorizações. A moeda americana também enfraqueceu frente a outras divisas fortes. A investigação ocorre em um momento delicado, com o mandato de Powell no comando do Fed chegando ao fim em maio.
Um grupo bipartidário de antigas autoridades da economia, incluindo ex-presidentes do Fed como Alan Greenspan, Ben Bernanke e Janet Yellen, emitiu uma declaração conjunta condenando a investigação. Eles a classificaram como uma “tentativa sem precedentes de usar ataques processuais para minar” a independência do banco central, alertando que tais práticas são características de mercados emergentes com instituições fracas e não têm lugar nos Estados Unidos.
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