2025 se confirma como o terceiro ano mais quente da história
Análises independentes apontam aceleração do aquecimento global; desastres climáticos bateram recordes de intensidade e prejuízo
O ano de 2025 foi oficialmente o terceiro mais quente já registrado no planeta, segundo análises de temperatura divulgadas por três agências científicas independentes. O resultado é considerado extraordinário pelos especialistas, pois ocorreu durante uma fase de La Niña no Oceano Pacífico, fenômeno que normalmente suprime as temperaturas globais. Isso indica que o calor proveniente dos gases de efeito estufa contrabalançou e superou essa influência de resfriamento.
Para os cientistas, trata-se de mais uma evidência de que o aquecimento causado pela atividade humana agora está sobrepujando de forma clara a variabilidade natural do clima. A temperatura média de 2025 ficou entre 1,41°C e 1,47°C acima dos níveis pré-industriais, dependendo da agência consultada. Segundo o serviço europeu Copernicus, a média de aquecimento dos últimos três anos superou, pela primeira vez, o limiar simbólico de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris.
O calor excepcional registrado em 2025 está alinhado com o que muitos pesquisadores chamam de uma recente aceleração no ritmo do aquecimento global. Entre os fatores que podem estar contribuindo para essa aceleração estão o declínio de nuvens baixas reflexivas e a redução da poluição por enxofre proveniente do transporte marítimo, que tem um efeito de resfriamento.
Os impactos desse calor recorde foram sentidos de forma trágica e custosa ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, o Incêndio Eaton, que devastou parte de Los Angeles em janeiro de 2025, causou mais de 400 mortes e cerca de 40 bilhões de dólares em perdas seguradas apenas. A mudança climática tornou as condições climáticas propícias a esse incêndio 35% mais prováveis.
Em outras regiões, eventos extremos também marcaram o ano. Na Groenlândia, o aquecimento em maio superou a média em mais de 12°C em alguns locais, derretendo gelo a um ritmo 12 vezes mais rápido que o normal. Furacões de intensidade inédita assolaram o Caribe, com o furacão Melissa registrando uma rajada de vento de 405 km/h, a mais forte já medida, causando destruição equivalente a 41% do PIB da Jamaica. Enchentes devastadoras na Ásia, no Texas (EUA) e no Paquistão completaram um cenário de clima extremo.
O contexto político global preocupa os cientistas. Enquanto as emissões de gases de efeito estufa continuam em níveis recordes, os Estados Unidos, sob sua atual administração, têm se retirado de seu papel histórico na ciência e diplomacia climática, desmantelando estruturas de pesquisa e sinalizando saída de tratados internacionais.
Especialistas alertam que, apesar do crescimento das energias limpas, o mundo permanece em uma trajetória climática perigosa. A cooperação global, essencial para gerenciar a crise, parece estar em um momento de retrocesso, enquanto os dados continuam a soar o alarme sobre a urgência do problema.
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