Hiroshima cobra do Japão manutenção de princípios antinucleares históricos
Declaração da assembleia local é resposta a fala de assessor do governo que defendeu posse de armas atômicas e a debates internos sobre revisão de política de segurança
A Assembleia da Prefeitura de Hiroshima emitiu uma declaração oficial pedindo ao governo japonês que mantenha a adesão aos princípios antinucleares e trabalhe por um mundo livre de armas atômicas. O movimento surge em meio a um delicado debate interno sobre a possível revisão dos três princípios que proíbem a posse, produção ou introdução de armas nucleares no país, enquanto o Partido Liberal Democrático, no poder, busca atualizar os documentos de segurança nacional.
A declaração de Hiroshima citou preocupações locais sobre essas revisões e afirmou ser dever do Japão, como única nação que sofreu bombardeios atômicos, continuar lutando pela concretização de um mundo sem armas nucleares. O texto enfatizou que o desastre causado em Hiroshima e Nagasaki há 80 anos jamais deve se repetir. O chefe da assembleia, Takashi Nakamoto, foi enfático ao classificar uma eventual revisão dos princípios como “ultrajante” e declarar veemente oposição à medida.
A revolta na prefeitura foi amplificada por uma declaração recente de um funcionário do gabinete japonês, responsável por assessorar o governo em temas de segurança. O assessor afirmou publicamente que “o Japão deveria ter armas nucleares”, provocando forte repercussão política e indignação, especialmente entre sobreviventes das bombas atômicas.
Em comunicado separado, a Confederação das Organizações de Vítimas da Bomba Atômica da Prefeitura de Hiroshima classificou as declarações do oficial como “absolutamente indesculpáveis”. A entidade argumentou que tal posição contraria os três princípios antinucleares e nega o papel do Japão como ponte entre os Estados nucleares e não nucleares no âmbito do Tratado de Não Proliferação Nuclear, afirmando que a única forma de evitar o perigo das armas nucleares é abolindo-as.
O debate ocorre em um contexto de instabilidade no consenso nacional sobre o tema. O Japão mantém uma Constituição pacifista desde o fim da Segunda Guerra Mundial, mas sua dependência da dissuasão nuclear dos Estados Unidos para proteção é vista por críticos como uma contradição aos princípios antinucleares. A primeira-ministra Sanae Takaichi tem pressionado por uma mudança na política de defesa diante de um ambiente de segurança considerado cada vez mais rigoroso, o que pode incluir a revisão da noção de “não permitir a introdução” de armas nucleares.
Itsunori Onodera, chefe do conselho de pesquisa de segurança do Partido Liberal Democrático, defendeu publicamente que o Japão precisa debater o futuro de seus princípios não nucleares, acrescentando que a dependência do país em relação à proteção nuclear americana é uma das questões centrais a serem discutidas.
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