‘Black Ox’: Cinema ousado que recompensa a paciência do espectador
Diretor Tetsuichiro Tsuta desafia era de curtos espaços de atenção com estética contemplativa baseada no Zen
Em uma era de atenção cada vez mais reduzida, o diretor Tetsuichiro Tsuta, de 41 anos, não tem medo de testar os limites de sua audiência. Seu novo filme, “Black Ox”, baseado na famosa série budista Zen “Ten Oxherding Pictures” (As Dez Pinturas do Pastor de Boi), que representa o processo em direção à iluminação, é uma experiência cinematográfica que recompensa a paciência com ousadia visual e narrativa.
Em determinado momento do filme, os espectadores são deixados diante de uma tela totalmente branca por mais de um minuto – um efeito que, de maneira improvável, se mostra eletrizante. Em outra sequência, a câmera se aproxima de um rosto de forma tão lenta que permite até mesmo um cochilo antes que o movimento se complete. O próprio Tsuta, quando questionado sobre a possibilidade de alguém adormecer durante sua obra, ri e afirma que “está tudo bem”.
O longa-metragem, que desafia convenções de ritmo e tempo, surge como um contraponto ao cinema de entretenimento rápido. Filmado com uma estética minimalista, “Black Ox” convida o público a uma jornada de introspecção, refletindo o tema espiritual de sua inspiração original. As “Ten Oxherding Pictures” são uma metáfora visual e poética usada há séculos no budismo Chan (Zen) para ilustrar os estágios do treinamento mental até o despertar.
A produção é uma colaboração entre estúdios japoneses e internacionais, incluindo Niko Niko Film, Moolin Films, Cinema Inutile, Cineric Creative e Fourier Films. A abordagem de Tsuta não é apenas um experimento formal, mas uma declaração artística sobre o valor da contemplação no mundo contemporâneo.
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