Eleição em Myanmar é desacreditada, mas sofrimento da população é realidade cruel
Quatro anos após golpe militar, crise econômica empurra cidadãos à venda de cabelo e até órgãos para sobreviver
Em Kawhmu, Myanmar, o custo humano do colapso econômico que se seguiu ao golpe militar de 2021 se revela em histórias de desespero. Moe Moe San, hoje com 16 anos, foi forçada a abandonar a escola aos 11 para trabalhar, após os generais tomarem o poder e destruírem a economia do país. Seu ofício há cinco anos é desembaraçar cabelo humano, vendido em mechas por mulheres tão desesperadas por algumas moedas quanto sua própria família.
Por oito horas diárias, ela alisa e organiza fios em uma loja de perucas nos arredores de Yangon, recebendo o equivalente a cerca de 2,50 dólares por dia. Em outras partes deste município, que já foi o reduto eleitoral da líder civil deposta Aung San Suu Kyi, a luta pela sobrevivência atingiu um patamar ainda mais sombrio, com relatos de pessoas vendendo seus próprios rins.
A realidade neste país do Sudeste Asiático, fracturado por uma guerra civil e por eleições consideradas uma farsa que começaram no último domingo, frequentemente se reduz a partes do corpo que possam ser vendidas. A imagem de Ma Yamin Htwe, de 19 anos, vendendo seu cabelo em 24 de dezembro, encapsula o nível de privação que transformou corpos em commodities de último recurso. Enquanto a junta militar promove um pleito amplamente rejeitado pela comunidade internacional, a população enfrenta escolhas inimagináveis para garantir sua subsistência diária.
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