Empresa de Fukushima abre capital para alianças estratégicas

TEPCO busca parceiros em IA e energia limpa em novo plano de recuperação

Plano aprovado pelo governo busca viabilizar custos do acidente de 2011

A Tokyo Electric Power Company Holdings (TEPCO) anunciou um ambicioso plano de reestruturação, aprovado pelo governo japonês, que tem como objetivo principal buscar parcerias com empresas externas, especialmente nos setores de data centers para inteligência artificial e em projetos de descarbonização. A medida é uma tentativa da empresa, que ainda lida com as consequências do acidente nuclear de Fukushima em 2011, de garantir fundos para o longo e custoso processo de descomissionamento da usina e para compensar as vítimas do desastre.

O novo “Quinto Plano de Negócios Especial Abrangente”, aprovado nesta segunda-feira, representa a primeira grande reformulação da estratégia da empresa em aproximadamente quatro anos e meio. O presidente da TEPCO, Tomoaki Kobayakawa, afirmou que alianças com outras companhias são fundamentais para o processo de desativação dos reatores e para a melhoria do valor corporativo a médio e longo prazo. A empresa está estruturada para avaliar possíveis parcerias de negócios, e fontes do setor indicam que uma das ideias em estudo é a criação de uma nova empresa para administrar os negócios não nucleares da utility, que então buscaria investidores externos.

O plano estabelece metas financeiras rigorosas para a próxima década. A TEPCO pretende reduzir custos na ordem de 3,1 trilhões de ienes (cerca de 20 bilhões de dólares) até o ano fiscal de 2034. Além disso, a empresa planeja vender ativos, incluindo participações acionárias e imóveis, no valor de aproximadamente 200 bilhões de ienes (1,3 bilhão de dólares) nos próximos três anos. Esses recursos são vitais para financiar as operações de descomissionamento em Fukushima e para investir na expansão da capacidade de geração de energia, demanda que tem crescido com a explosão de data centers para IA.

O plano também considera a reativação de reatores nucleares como parte da estratégia de recuperação financeira, citando especificamente as unidades 6 e 7 da usina de Kashiwazaki-Kariwa. A empresa estima que a operação de um reator possa gerar uma melhoria de cerca de 100 bilhões de ienes nos resultados anuais. No entanto, a reativação do reator 6, que ocorreu no início de janeiro, já enfrentou contratempos técnicos, levando a uma nova parada por problemas relacionados às hastes de controle.

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