Músico tem música tocada em TV japonesa e descobre realidade dos royalties
Expectativa de grande pagamento se transforma em lição sobre os prazos e cálculos complexos da JASRAC
O músico e escritor Seiji Nakazawa viveu um momento marcante em julho de 2025, quando uma canção de sua autoria foi tocada ao fundo durante sua participação no popular programa de TV “Matsuko no Shiranai Sekai”, da emissora TBS, em horário nobre. Apesar da euforia inicial, a realidade dos royalties reservou uma surpresa que o levou a uma investigação sobre o funcionamento da Sociedade Japonesa de Direitos de Autores, Compositores e Editores (JASRAC).
Ao receber sua declaração de pagamentos referente ao período de julho a setembro de 2025, Nakazawa se deparou com um valor total de apenas 3.639 ienes (cerca de 23 dólares). O montante era ainda menor que o do trimestre anterior e, para sua perplexidade, não havia nenhum item listado especificamente para o uso da música na televisão, apenas categorias relacionadas a apresentações ao vivo e usos online.
Intrigado com a aparente omissão, o músico decidiu contactar diretamente a JASRAC. A explicação que recebeu não era sobre um erro, mas sobre um detalhe do sistema: os royalties por transmissões televisivas têm um ciclo de distribuição diferente. Enquanto pagamentos de transmissões interativas e performances são processados em três meses, os valores da TV são calculados com seis meses de defasagem. Portanto, o uso de julho só será refletido na declaração que será enviada em março de 2026.
Após o esclarecimento, Nakazawa buscou entender como o valor final é determinado. Descobriu que a JASRAC utiliza uma fórmula de pontos que considera fatores como número de usos, duração em segundos, tipo de uso (se como música principal, tema ou de fundo) e a escala de transmissão, esta última baseada na receita anual da emissora. Curiosamente, o fato de sua música ter sido tocada no horário nobre não impacta diretamente o cálculo, que se concentra na natureza do uso e no porte da rede transmissora.
A experiência serviu como uma revelação para o artista, que estava acostumado apenas com os ciclos mais curtos de pagamento de plataformas digitais e shows. O caso ilustra a complexidade e os prazos extensos do sistema de distribuição de direitos autorais para a televisão no Japão, um processo que muitas vezes permanece obscuro para os próprios criadores.
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