Falsificação de dados sísmicos paralisa usina nuclear de Hamaoka no Japão
Regulador classifica ação da operadora Chubu Electric como ‘ato de traição’ e revoga análise de segurança que já durava uma década
A revisão de segurança para o reinício de operações de dois reatores na usina nuclear de Hamaoka, na província de Shizuoka, foi oficialmente suspensa após a descoberta de que a operadora Chubu Electric Power falsificou dados sobre riscos sísmicos. O presidente da empresa, Kingo Hayashi, já se desculpou publicamente, admitindo que funcionários manipularam informações para subestimar a potência de terremotos que a usina precisaria suportar.
O regulador nuclear japonês, a Autoridade de Regulação Nuclear (NRA), anunciou a decisão após confirmar que a empresa forneceu durante anos dados fabricados sobre os riscos sísmicos da região. De acordo com o presidente da NRA, Shinsuke Yamanaka, a conduta da Chubu Electric constitui “um ato de traição à sua tarefa e algo que destrói a segurança nuclear”. O processo de revisão de segurança, que começou em 2014 e 2015 para os reatores 3 e 4, terá que ser totalmente reiniciado do zero ou possivelmente rejeitado.
A fraude veio à tona após uma denúncia recepvia pelo regulador em fevereiro do ano passado através do sistema de proteção a denunciantes. A Chubu Electric conduziu uma investigação interna e confirmou as irregularidades para a NRA em meados de dezembro. A empresa revelou que, desde 2018, seus técnicos selecionavam intencionalmente ondas sísmicas que não representavam a média real dos cálculos, criando depois conjuntos de dados artificiais para sustentar essa seleção tendenciosa.
A usina de Hamaoka está localizada em uma área costeira cerca de 200 quilômetros a oeste de Tóquio, região de alto risco para os chamados mega-terremotos do Sopé de Nankai. Especialistas e autoridades locais reagiram com indignação. O governador de Shizuoka, Yasutomo Suzuki, declarou que o caso “abala a confiança dos cidadãos na empresa”, enquanto o prefeito de Omaezaki, cidade que abriga a usina, Masaru Shimomura, afirmou que a confiabilidade de todo o processo de revisão está comprometida.
O escândalo representa um grande revés para a política energética do Japão, que busca acelerar a reativação de reatores para enfrentar custos crescentes de energia e reduzir emissões de carbono. A confiança pública na energia nuclear ainda está dividida devido ao desastre de Fukushima de 2011. A Chubu Electric estabeleceu um comitê independente de advogados para investigar o caso, mas a NRA já decidiu agir sem aguardar as conclusões desse grupo.
Acompanhe mais atualizações no Japão em Pauta.






