Falências de restaurantes de ramen recuam após anos de alta, mas setor ainda enfrenta desafios
Estudo da Teikoku Databank mostra queda de 25,3% nas falências em 2025, interrompendo uma série de três anos de aumentos consecutivos. Apesar do alívio, o número segue historicamente elevado devido aos custos dos ingredientes.
O ano de 2025 trouxe um sopro de alívio para o setor de ramen no Japão. Um estudo anual da empresa de pesquisas Teikoku Databank revela que o número de falências de restaurantes especializados no prato caiu 25,3% em relação ao ano anterior, passando de 79 para 59 casos. Esta é a primeira redução registrada após três anos seguidos de alta, que culminaram no recorde negativo de 2024.
Para a pesquisa, são consideradas empresas com dívidas superiores a 10 milhões de ienes (aproximadamente 65 mil dólares) que entraram com pedido de falência. Analistas apontam que o aumento persistente nos custos foi o principal motor do número elevado de quebras nos últimos anos. Um índice de custos do ramen calculado pela Teikoku, que acompanha o preço médio em Tóquio dos ingredientes de um tonkotsu ramen tradicional, subiu 41% desde 2020.
A queda em 2025 é atribuída a uma combinação de fatores. Restaurantes adotaram tendências como o “ramen sem caldo”, que requer menos ingredientes, e implementaram mudanças operacionais como sistemas de pagamento sem dinheiro e o uso de cozinhas centrais que fornecem produtos semiacabados para lojas individuais, permitindo equipes menores e custos reduzidos. Além disso, muitos estabelecimentos migraram da estratégia de vender em grande volume para buscar um lucro maior por cliente, seja através de versões premium do prato ou simplesmente pelo aumento dos preços no cardápio – uma prática que, segundo a Teikoku, vem sendo gradualmente mais aceita pelos consumidores.
No entanto, especialistas alertam que o cenário está longe de ser tranquilo. Embora tenha caído, o número de 59 falências em 2025 é o segundo maior já registrado pelo estudo desde seu início, em 2010. As pressões de custo com os ingredientes não recuaram, continuando a desafiar a operação dos negócios. É importante notar também que o estudo contabiliza apenas falências formais. Proprietários que fecharam as portas após esgotar suas economias para cobrir dívidas, por exemplo, não entram na estatística, mas enfrentam graves dificuldades financeiras.
Há ainda questionamentos sobre a sustentabilidade de aumentar os preços ao consumidor como estratégia de longo prazo, já que isso pode corroer a imagem do ramen como uma opção saborosa e acessível, afastando especialmente o público mais jovem. Apesar dos desafios, a redução no número de falências é vista como um desenvolvimento positivo. A Teikoku indica que há possibilidade de nova queda em 2026, com grandes grupos, redes e fundos de investimento demonstrando interesse em adquirir ou fundir-se com restaurantes de ramen de pequeno e médio porte que enfrentam dificuldades financeiras ou cujos donos buscam se aposentar sem um sucessor.
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