“Respeito como nunca antes”? Pesquisa global contradiz afirmação de Trump sobre os EUA
No aniversário de um ano de seu segundo mandato, presidente fez coletiva de 104 minutos focada em conquistas domésticas, enquanto estudo europeu questiona a imagem internacional do país
Em coletiva de imprensa que durou uma hora e 44 minutos para marcar o primeiro ano de seu segundo mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu que seu país é novamente “respeitado como nunca antes”. No entanto, uma nova pesquisa do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR, na sigla em inglês) apresenta uma visão diametralmente oposta, sugerindo que as políticas agressivas de “America First” estão, na verdade, afastando aliados e aproximando nações da China.
O estudo, que ouviu mais de 21 mil pessoas em 21 países, conclui que os Estados Unidos estão atualmente perdendo para a China na corrida pela popularidade global. Essa constatação surge em um momento de tensão diplomática, com Trump reiterando sua intenção de adquirir a Groenlândia, afirmando que o território é “imperativo para a segurança nacional e mundial” e respondendo “você vai descobrir” quando questionado sobre até onde iria para concretizar o plano.
Durante a longa coletiva na Casa Branca, Trump apresentou uma lista do que chamou de “365 vitórias em 365 dias”, com destaque para a política de imigração. Ele defendeu o foco na deportação de criminosos, embora dados indiquem que a maioria das pessoas detidas pela imigração não tem condenações criminais. Na economia, insistiu que suas tarifas não causaram inflação, uma afirmação contestada por dados de preços ao consumidor que mostram aumentos contínuos, apesar da queda em itens específicos como gasolina e ovos.
As declarações sobre a OTAN chamaram a atenção. Trump questionou se os aliados do bloco viriam em socorro dos EUA em um momento de necessidade, dizendo: “Eu sei que nós iremos resgatá-los, mas eu realmente questiono se eles viriam resgatar a nós”. Ele também afirmou que “ninguém fez mais pela OTAN do que eu”, referindo-se ao sucesso em pressionar os países membros a aumentarem seus gastos com defesa.
A postura de Trump tem gerado reações firmes de líderes europeus. O presidente francês, Emmanuel Macron, alertou para uma mudança na ordem geopolítica, enquanto a primeira-ministra polonesa, Donald Tusk, advertiu que a Europa não pode seguir um caminho de “apaciguamento”, que considera um sinal de fraqueza. As ameaças sobre a Groenlândia também levaram parlamentares da UE a suspender um acordo comercial com os Estados Unidos, com um importante membro do Parlamento Europeu afirmando que não há alternativa devido aos riscos à soberania de um Estado-membro.
A coletiva, descrita por correspondentes como um discurso “expansivo” voltado principalmente para o público doméstico, aconteceu às vésperas da participação de Trump no Fórum Econômico Mundial em Davos, onde estava previsto para discutir o tema da Groenlândia. Enquanto o presidente se prepara para a eleição de meio de mandato, sua narrativa de sucesso nacional parece cada vez mais desconectada das percepções que se formam no cenário internacional.
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