EUA deixam OMS após críticas à gestão da COVID-19 e falta de reformas

Estados Unidos concluem processo de saída da Organização Mundial da Saúde

Decisão baseada em acusações de má gestão da pandemia de COVID-19 e falta de independência da agência marca ruptura histórica

Os Estados Unidos cumpriram formalmente, nesta quinta-feira, o processo de retirada da Organização Mundial da Saúde (OMS), consumando uma decisão anunciada há um ano. O governo americano, sob a administração do presidente Donald Trump, justificou a medida citando uma série de falhas da agência internacional, com destaque para sua atuação durante a pandemia de COVID-19.

Em um comunicado, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA afirmou que a OMS “se desviou de sua missão principal” e agiu de forma contrária aos interesses americanos em múltiplas ocasiões. As críticas se concentram na resposta inicial à pandemia, com acusações de que a organização atrasou a declaração de emergência global de saúde pública e teria elogiado a resposta da China apesar de relatos de subnotificação de casos. O governo americano também criticou o que chamou de falha da OMS em adotar reformas urgentes e sua incapacidade de demonstrar independência de influências políticas inadequadas de Estados-membros.

A saída tem um impacto financeiro imediato. Os Estados Unidos eram o maior financiador da OMS, contribuindo com cerca de 20% de seu orçamento operacional. No entanto, o país não pagou as contribuições de membro para 2024 e 2025, deixando uma dívida de aproximadamente 278 milhões de dólares com a organização. Um alto funcionário do governo americano argumentou que o país não tem obrigação de quitar esse valor sob a Constituição da OMS, enquanto a própria organização afirma que a retirada não está completa até que todas as dívidas sejam liquidadas.

Especialistas em saúde pública e doenças infecciosas reagiram com forte crítica à decisão. A Sociedade Americana de Doenças Infecciosas classificou o movimento como “um abandono míope e equivocado de nossos compromissos de saúde global”. Eles alertam que a saída prejudicará a vigilância de vírus, incluindo a participação no Sistema Global de Vigilância e Resposta à Influenza, plataforma vital para monitorar casos de gripe e desenvolver vacinas anuais.

A retirada da OMS não é um ato isolado, mas parte de uma política externa mais ampla. Recentemente, a administração Trump também anunciou a saída dos Estados Unidos de mais de 60 outras organizações internacionais, incluindo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e a ONU Mulheres. Um comunicado da Casa Branca descreveu essas entidades como promotoras de “políticas climáticas radicais, governança global e programas ideológicos” contrários à soberania americana.

Para preencher a lacuna deixada pela saída da OMS, autoridades americanas afirmaram que o país desenvolverá uma nova estratégia de saúde global, trabalhando com acordos bilaterais, organizações não governamentais e outros parceiros. No entanto, críticos argumentam que um sistema fragmentado não substituirá a coordenação centralizada e o acesso a dados que a filiação à OMS proporcionava. O futuro do envolvimento americano em reuniões técnicas cruciais, como a que define a composição das vacinas anuais contra a gripe, permanece incerto.

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