Japão debate princípios não nucleares após sugestão de posse de armas atômicas
Ex-ministro da Defesa defende revisão; partido no poder discute mudanças em documentos de segurança
O ex-ministro da Defesa do Japão, Itsunori Onodera, afirmou neste domingo que o país precisa debater o futuro de seus princípios não nucleares. A declaração ocorre após um alto funcionário de segurança sugerir, recentemente, que a nação deve possuir armas nucleares para sua defesa.
Onodera, que chefia o conselho de pesquisa de segurança do governista Partido Liberal Democrata (PLD), enfatizou em um programa de TV a importância de discutir se deve ser realizada uma revisão. Ele se referiu à dependência japonesa do “guarda-chuva nuclear” dos Estados Unidos.
O ex-ministro afirmou que a política atual do governo é manter os três princípios não nucleares, mas acrescentou que depender do guarda-chuva nuclear americano equivale a pedir que os EUA defendam o Japão, usando armas nucleares se necessário. “Deixar de pensar sobre questões nucleares é politicamente irresponsável”, declarou.
O PLD, liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi, iniciou discussões para revisar três documentos-chave de segurança nacional até o final do próximo ano. Espera-se que o tratamento dos três princípios não nucleares esteja entre os temas considerados. A política oficial do governo japonês é manter os princípios, que proíbem a posse, produção ou introdução de armas nucleares.
Takaichi, conhecida por suas posições de linha dura em segurança nacional, já havia expressado preocupação, antes de assumir o cargo em outubro, de que o princípio de não permitir a entrada de armas nucleares no Japão poderia prejudicar a eficácia do guarda-chuva nuclear americano.
Paralelamente, o governo mantém a política de aderir a uma declaração parlamentar de 2010 do então chanceler Katsuya Okada, que pode ser interpretada como permitindo a introdução de armas nucleares em emergências.
O debate no Japão se intensificou drasticamente após um oficial que trabalha no escritório de Takaichi, em uma troca informal com jornalistas na quinta-feira, ter manifestado apoio à ideia de o país adquirir armas nucleares. Na sexta-feira, o Departamento de Estado dos EUA chamou o Japão de “líder global” na promoção da não proliferação nuclear, em um que pareceu ser um aviso contra um possível movimento do país asiático para obter tais armas. O Japão é a única nação a ter sofrido ataques nucleares.
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