Pressão por debate: Japão reconsidera seus princípios não nucleares históricos
Ex-ministro da Defesa argumenta que é “politicamente irresponsável” ignorar a discussão sobre o guarda-chuva nuclear dos EUA, enquanto o governo planeja revisar sua estratégia de segurança.
O ex-ministro da Defesa do Japão, Itsunori Onodera, defendeu publicamente a necessidade de o país debater o futuro de seus três princípios não nucleares, um pilar da política de segurança nacional desde 1967. A declaração ocorre em meio a um intenso debate interno sobre a dependência japonesa do “guarda-chuva nuclear” dos Estados Unidos e em um contexto regional de crescentes ameaças[citation:4][citation:10].
Onodera, que também preside a comissão de segurança do Partido Liberal Democrático (PLD), partido do governo, afirmou que, embora a política atual seja manter os princípios que proíbem a posse, produção e introdução de armas nucleares, o Japão precisa discutir se deve revisá-los. Ele destacou que a dependência da dissuasão nuclear americana significa, em essência, que os EUA se comprometeram a defender o Japão “até com armas nucleares”. “Não pensar sobre as questões nucleares é politicamente irresponsável”, declarou o ex-ministro[citation:4][citation:10].
O debate foi reacendido recentemente após um alto funcionário do gabinete da primeira-ministra Sanae Takaichi declarar, em conversa informal com jornalistas, que o Japão “deveria possuir armas nucleares”[citation:1][citation:2]. A declaração, apresentada como uma opinião pessoal e não como uma política governamental, gerou imediata reação. O secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, reafirmou que o governo mantém os três princípios não nucleares, evitando comentar diretamente sobre o caso do funcionário[citation:1]. Sobreviventes das bombas atômicas e grupos antinucleares criticaram veementemente as declarações, classificando-as como “absolutamente imperdoáveis”[citation:1].
A primeira-ministra Takaichi, conhecida por suas posições de linha dura em segurança, já havia sinalizado abertura para revisar os princípios. Antes de assumir o cargo, ela questionou publicamente se o princípio de “não permitir a introdução” de armas nucleares poderia minar a eficácia do guarda-chuva americano[citation:4][citation:7]. Recentemente, no parlamento, ela se recusou a confirmar se os princípios seriam mantidos na revisão da estratégia de segurança nacional, dizendo apenas que o governo os segue “como uma diretriz política por enquanto”[citation:7].
O tema ganha urgência devido ao agravamento do ambiente de segurança no Leste Asiático, com o avanço dos programas nucleares da Coreia do Norte e da China e a guerra na Ucrânia[citation:6][citation:8]. O PLD e seu parceiro de coalizão, o Partido da Inovação do Japão (Ishin), já iniciaram discussões para revisar os três principais documentos de segurança do país até o final de 2026, e o tratamento dos princípios não nucleares deve ser um dos tópicos centrais[citation:4][citation:8][citation:10].
Enquanto isso, os Estados Unidos emitiram um recado sutil. Um porta-voz do Departamento de Estado americano reiterou que o Japão é um “líder global” em não proliferação nuclear, em uma declaração interpretada como um lembrete da posição tradicional de Washington e de seu desejo de que o aliado asiático mantenha esse status[citation:9].
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