Exportações de terras raras e itens estratégicos são bloqueadas por Pequim

China retalia Japão com bloqueio a exportações estratégicas

Medidas comerciais endurecem após declarações da primeira-ministra japonesa sobre Taiwan

As tensões diplomáticas entre China e Japão atingiram um novo patamar nesta semana com o anúncio de Pequim de restrições à exportação de itens considerados estratégicos para seu vizinho. O governo chinês confirmou na sexta-feira o endurecimento das restrições à exportação de terras raras para o Japão, uma medida que já causa atrasos nas remessas e preocupa o setor industrial nipônico. A ação representa a mais recente escalada em uma crise que se intensificou desde novembro, quando a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sugeriu que um eventual ataque chinês a Taiwan poderia constituir uma “ameaça à sobrevivência” do Japão.

Além das terras raras, o Ministério do Comércio da China anunciou a restrição imediata de exportações para o Japão de quaisquer itens de “dupla utilização”, que podem ter aplicações tanto civis quanto militares. Embora a lista exata de produtos não tenha sido divulgada oficialmente, fontes do setor e da mídia especulam que inclui componentes aeroespaciais, drones, eletrônicos avançados e tecnologias nucleares. A medida, justificada por Pequim como necessária para “proteger a segurança nacional”, foi classificada pelo Ministério das Relações Exteriores do Japão como “absolutamente inaceitável” e uma prática que “divergem significativamente da prática internacional”.

O impacto econômico potencial é considerável. O Japão depende da China para cerca de 60% de suas importações de terras raras, minerais essenciais para a fabricação de uma vasta gama de produtos, de carros elétricos a equipamentos de defesa. Um economista-chefe do Instituto de Pesquisa Nomura estimou que uma proibição ampla desses materiais por um ano poderia causar uma perda de aproximadamente 2,6 trilhões de ienes para a economia japonesa. Enquanto isso, empresas japonesas já relatam que alguns exportadores chineses pararam de lidar com remessas de metais raros para o Japão.

As tensões também se estenderam ao campo da segurança pública. No início de janeiro, a Embaixada da China em Tóquio emitiu um aviso formal aconselhando seus cidadãos a evitar temporariamente viagens ao Japão, citando preocupações com a segurança. O comunicado mencionou incidentes, incluindo um atropelamento em Shinjuku na virada do ano que deixou dois cidadãos chineses gravemente feridos, como parte da justificativa para a recomendação. Paralelamente, Pequim tem promovido uma aproximação visível com a Coreia do Sul, com ampla cobertura midiática da visita do presidente sul-coreano a Beijing e anúncios de novos acordos comerciais, em um contraste evidente com o tratamento dado ao Japão.

Analistas apontam que a atual crise tem raízes profundas na história conturbada entre os dois países. A memória da ocupação japonesa na primeira metade do século XX, incluindo eventos como o Massacre de Nanjing, continua a moldar a desconfiança chinesa. Disputas territoriais contemporâneas, como a sobre as ilhas chamadas de Diaoyu pela China e Senkaku pelo Japão, e visitas de autoridades japonesas ao santuário de Yasukuni, onde criminosos de guerra são homenageados, periodicamente reacendem as hostilidades. Neste contexto, as declarações da primeira-ministra Takaichi sobre Taiwan funcionaram como um novo catalisador para uma resposta econômica e diplomática dura de Pequim.

O Banco do Japão começou a monitorar a situação, com autoridades reconhecendo que, embora o impacto direto na economia ainda seja limitado, as tensões com a China representam um novo risco. Empresas japonesas, especialmente na cadeia de fornecimento industrial, temem que os efeitos das restrições comerciais possam se ampliar no futuro. Enquanto isso, as perspectivas para uma desescalada rápida parecem remotas. Especialistas em relações internacionais da região avaliam que, com os canais diplomáticos escassos e as agendas políticas domésticas em primeiro plano, uma solução para a disputa atual não está à vista.

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