Falha no lançamento do foguete H3 atrasa plano de GPS japonês

Falha no lançamento do foguete H3 japonês coloca em xeque cronograma espacial

Anomalia no motor da segunda fase causou a perda do satélite Michibiki 5 e adia os planos do Japão para um sistema de GPS próprio

O Japão sofreu um revés significativo em seu programa espacial nesta segunda-feira (22), quando o lançamento do oitavo foguete H3, da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA), terminou em fracasso. O veículo, que decolou do Centro Espacial de Tanegashima às 10h51 (horário local), não conseguiu colocar o satélite de navegação Michibiki No. 5 em sua órbita planejada devido a uma falha no motor do segundo estágio.

De acordo com a JAXA, a segunda ignição do motor LE-5B-3, que utiliza uma combinação de hidrogênio e oxigênio líquidos, falhou ao iniciar normalmente e foi desligada prematuramente. O comunicado oficial da agência expressa profundas desculpas pelo ocorrido e informa a criação de uma força-tarefa especial, chefiada pelo presidente Hiroshi Yamakawa, para investigar as causas do problema. Em uma coletiva de imprensa, o diretor de lançamento, Masashi Okada, afirmou que não foi possível confirmar a separação do satélite do foguete, e seu destino atual é desconhecido.

Esta é a segunda falha do foguete H3 desde seu voo inaugural mal-sucedido em março de 2023, que também envolveu problemas no segundo estágio. Após esse primeiro contratempo, o foguete havia realizado cinco missões bem-sucedidas consecutivas. O lançamento desta segunda-feira já havia sido adiado duas vezes: primeiramente de 7 de dezembro devido a uma anomalia no próprio foguete, e depois no dia 17, quando foi abortado a apenas 16,8 segundos da decolagem por um defeito no sistema de resfriamento do local de lançamento.

O satélite perdido, Michibiki No. 5 (também designado QZS-5), é uma peça fundamental do Sistema por Satélite Quase-Zenital (QZSS) do Japão. Trata-se da rede de navegação regional do país, projetada para aumentar a precisão e confiabilidade do sistema de Posicionamento Global (GPS) americano sobre o Japão e a região da Ásia-Pacífico. O governo japonês tem como objetivo estabelecer uma rede independente de sete satélites até março de 2026, e outra de 11 satélites até o final da década de 2030, para reduzir a dependência de sistemas estrangeiros em áreas críticas como navegação de drones, transporte marítimo e alertas de terremotos.

A falha tem o potencial de atrasar múltiplas missões futuras. O foguete H3 está programado para lançar outro satélite Michibiki e uma segunda espaçonave de carga HTV-X no próximo ano. Mais criticamente, ele é o veículo designado para a ambiciosa missão MMX (Martian Moons eXploration), com janela de lançamento prevista para novembro-dezembro de 2026 em direção a Marte. O gerente de projeto do H3, Makoto Arita, afirmou que é impossível prosseguir com os próximos lançamentos sem determinar a causa e implementar medidas preventivas, ressaltando a necessidade de recuperar a credibilidade do programa.

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