FMI: corte de imposto ameaça economia japonesa

FMI alerta Japão contra redução do imposto sobre consumo em meio a riscos fiscais

Instituição destaca que corte no imposto pode agravar dívida pública em momento de alta dos custos de empréstimos

O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou ao Japão que evite reduzir o imposto sobre consumo, medida considerada ineficaz e arriscada para as contas públicas. O alerta ocorre enquanto a primeira-ministra Sanae Takaichi prepara um debate sobre a possível suspensão do tributo sobre alimentos.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, após consulta periódica com as autoridades japonesas, o FMI afirmou que as autoridades devem evitar a redução do imposto sobre consumo, uma medida não direcionada que reduziria o espaço fiscal e aumentaria os riscos para as finanças públicas. A declaração final da consulta do Artigo IV, que avalia a economia do país, reforça a preocupação com o impacto de uma eventual desoneração.

Rahul Anand, chefe da missão do FMI para o Japão, explicou a jornalistas que o país não deveria adotar uma política fiscal expansionista num momento em que os custos com o serviço da dívida e com o bem-estar social tendem a aumentar, pressionando ainda mais o já elevado endividamento nacional. A dívida pública japonesa é uma das maiores do mundo em proporção do PIB.

A recomendação do FMI surge em um contexto de expectativa de que os custos de empréstimos públicos devem dobrar nos próximos anos, o que tornaria a situação fiscal ainda mais desafiadora. O governo de Takaichi sinalizou que pode acelerar as discussões sobre a suspensão do imposto sobre alimentos, uma promessa de campanha que visa aliviar o custo de vida das famílias, mas que encontra resistência de especialistas e organismos internacionais.

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