Fórum da Keidanren marca início das negociações salariais de 2026 no Japão.

Negociações salariais da primavera começam no Japão com foco em superar a inflação

Fórum da Keidanren discute como estender aumentos significativos para pequenas e médias empresas e garantir crescimento real dos rendimentos.

O fórum de gestão trabalhista da Federação Empresarial do Japão (Keidanren), realizado em Tóquio, marcou nesta sexta-feira o início formal das negociações salariais da primavera (shuntō) de 2026 no país. O evento acontece em um contexto em que os aumentos salariais ainda não acompanharam o ritmo da inflação, com os salários reais apresentando queda consecutiva há 11 meses, conforme dados até novembro.

O ponto central das discussões deste ano é se os aumentos salariais superiores a 5%, conquistados em grandes corporações, serão expandidos para o universo das pequenas e médias empresas, que empregam cerca de 70% da força de trabalho japonesa. Essa ampliação é vista como essencial para alcançar um crescimento estável do poder de compra dos trabalhadores.

Yoshinobu Tsutsui, presidente da Keidanren, afirmou em seu discurso de abertura que o aumento da escala salarial é “o padrão” para as negociações deste ano. “Esperamos que muitas empresas, incluindo as pequenas e médias, elevem os salários-base”, declarou. Para viabilizar aumentos generalizados, Tsutsui sugeriu que as menores empresas melhorem sua produtividade e que as grandes corporações cooperem para que se consolidem preços adequados baseados em custos.

Na shuntō do ano anterior, funcionários de grandes empresas obtiveram aumentos acima de 5% pelo segundo ano consecutivo, de acordo com a Confederação Sindical do Japão (Rengo). Paralelamente ao fórum, representantes de sindicatos setoriais, como o da indústria automotiva, apresentaram suas políticas para as negociações de 2026.

Em preparação para o fórum, Tsutsui e a chefe do Rengo, Tomoko Yoshino, reuniram-se e concordaram sobre a importância de manter o impulso de altas salariais, sinalizando uma postura alinhada entre as lideranças patronais e trabalhistas no objetivo comum de reverter a erosão dos rendimentos.

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