Iraque encara negociações complexas para formar novo governo
Fragilidade política e influência de milícias moldam cenário pós-eleitoral
Mais de um mês após as eleições parlamentares no Iraque, as facções políticas permanecem em intensas negociações para formar as alianças que definirão o próximo governo. O pleito de novembro não produziu um bloco com maioria decisiva, abrindo caminho para um prolongado período de barganhas políticas em um cenário de profundas divisões.
O governo que eventualmente surgir herdará uma situação de segurança que se estabilizou nos últimos anos, mas enfrentará um parlamento fragmentado, a crescente influência política de facções armadas, uma economia frágil e pressões internacionais e regionais frequentemente conflitantes, incluindo o futuro dos grupos armados apoiados pelo Irã.
O partido do primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani obteve o maior número de cadeiras. Al-Sudani, visto como um pragmático focado em serviços públicos, precisa, no entanto, do apoio da coalizão da Estrutura de Coordenação, bloco de partidos xiitas pró-Irã, para se manter no poder. Analistas apontam que a coalizão pode resistir a um segundo mandato de al-Sudani, vendo-o como um concorrente poderoso demais.
A Estrutura de Coordenação viu sua posição fortalecida pela ausência eleitoral do poderoso movimento Sadrista, que boicota o sistema político. Grupos políticos com alas armadas associadas conquistaram mais de 100 assentos parlamentares, a maior representação desde 2003. Enquanto isso, forças sunitas buscam se reorganizar, e o cenário curdo segue dominado pela rivalidade tradicional entre seus dois principais partidos.
O próximo governo herdará grandes desafios econômicos, incluindo um alto nível de endividamento público e um orçamento ainda extremamente dependente do petróleo. A questão mais delicada, porém, será o futuro das Forças de Mobilização Popular (PMF), milícias formalmente sob controle do exército, mas com grande autonomia. Os EUA têm pressionado pelo desarmamento dos grupos apoiados pelo Irã, uma proposta complexa dado seu poder político.
Fontes políticas iraquianas anônimas relataram que os Estados Unidos alertaram contra a escolha de qualquer candidato a primeiro-ministro que controle uma facção armada. A nomeação do novo governo segue um calendário constitucional, com prazos definidos para a eleição do presidente e do próprio premiê.
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