Gabinete de Takaichi aprova maior orçamento da história, com aumento de gastos e dívida.

Japão aprova orçamento recorde de 122,3 trilhões de ienes para o ano fiscal de 2026

Primeiro orçamento completo de Sanae Takaichi aumenta gastos em 6,3% e amplia emissão de títulos para cobrir despesas

O Gabinete da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, aprovou nesta sexta-feira um projeto de orçamento inicial recorde de 122,3 trilhões de ienes (cerca de 784 bilhões de dólares) para o ano fiscal que começa em abril de 2026. O valor, o maior já registrado em termos nominais, representa um aumento de aproximadamente 6,3% em relação ao orçamento do ano anterior, de 115,2 trilhões de ienes, que também havia batido um recorde. Esta é a primeira proposta orçamentária completa do governo Takaichi, que assumiu o cargo em outubro.

Para financiar o aumento dos gastos, o governo planeja emitir cerca de 29,6 trilhões de ienes em títulos públicos, valor superior à emissão inicial do ano fiscal corrente. A receita tributária, por sua vez, deve atingir a marca histórica de 83,7 trilhões de ienes, impulsionada pelos bons resultados das empresas e pelo cenário de preços mais altos. Apesar disso, as despesas continuam a crescer em um ritmo mais acelerado do que a arrecadação.

Os gastos com a previdência social, pressionados pelo envelhecimento populacional, devem alcançar 39,1 trilhões de ienes. Outro item que atinge um patamar sem precedentes é o serviço da dívida pública, estimado em 31,3 trilhões de ienes, reflexo do recente aumento nas taxas de juros de longo prazo, que elevam o custo para o governo rolar e pagar juros sobre seus títulos.

Uma fatia significativa do orçamento será destinada à defesa. O plano prevê um gasto militar que supera 9 trilhões de ienes, um aumento de 9,4% em relação a 2025. Este é o quarto ano do programa quinquenal do país para elevar os gastos anuais com defesa para 2% do Produto Interno Bruto (PIB), meta que o governo Takaichi prometeu atingir até março de 2027, dois anos antes do previsto inicialmente. Os recursos serão usados para reforçar capacidades de contra-ataque, defesa costeira com mísseis e aquisição de drones.

A expansão fiscal ocorre em um momento de mudança na política monetária. O Banco do Japão elevou recentemente sua taxa básica de juros para 0,75%, o nível mais alto desde 1995, em um movimento para conter a inflação e sustentar o iene. Analistas alertam que essa combinação de juros mais altos e aumento significativo da dívida pública gera preocupação nos mercados. O rendimento dos títulos do governo japonês a 10 anos tem operado próximo a 2%, patamar considerado alto para o país, refletindo o prêmio de risco que os investidores exigem diante da trajetória expansionista das contas públicas.

O projeto de orçamento aprovado pelo Gabinete será agora enviado ao Parlamento japonês (Diet) em janeiro. O governo espera conseguir sua aprovação até o final do ano fiscal corrente, em março, para que entre em vigor a partir de abril de 2026.

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