Governadora Koike quer cobrança para descarte de resíduos

Tóquio estuda cobrar por descarte de lixo doméstico em todos os seus distritos

Governadora Yuriko Koike defende taxa para promover “mudança de comportamento” e evitar colapso nos aterros sanitários da capital

A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, anunciou que irá incentivar a implementação de taxas para o descarte de lixo doméstico nos 23 distritos especiais da capital japonesa. A declaração foi dada em uma coletiva de imprensa, na qual ela destacou que a capacidade dos aterros sanitários da metrópole é limitada e que a medida é necessária para promover uma mudança de comportamento da população em direção à reciclagem. A decisão final, no entanto, caberá a cada uma das administrações distritais, com o governo metropolitano fornecendo dados sobre os benefícios e casos de sucesso.

A proposta surge em um contexto em que aproximadamente 65% dos municípios japoneses já adotam algum tipo de cobrança pelo descarte de resíduos domiciliares. Na região metropolitana de Tóquio, a maioria dos municípios da área de Tama, a oeste, já implementou o sistema, enquanto os 23 distritos centrais só cobram por itens volumosos. Segundo a governadora, a experiência na região de Tama mostrou resultados significativos na redução do volume de lixo.

Projeções indicam que os aterros sanitários de Tóquio, localizados na Baía de Tóquio, têm uma capacidade restante estimada entre 50 e 60 anos. Diante dessa realidade física, que não pode ser resolvida apenas com recursos financeiros, a taxação do lixo doméstico é vista como uma ferramenta crucial para desacelerar o esgotamento desses espaços. Um estudo do governo metropolitano aponta que a medida poderia reduzir a quantidade total de resíduos em mais de 10% até 2035.

O impacto no bolso dos moradores é um ponto central do debate. Com base em experiências de cidades que já adotaram o sistema, como Hachioji, estima-se que uma família de quatro pessoas teria um custo adicional anual de cerca de 7.200 ienes (aproximadamente R$ 240, na cotação atual). O modelo geralmente funciona pela obrigatoriedade de uso de sacos de lixo específicos e pagos, com valores diferenciados para resíduos combustíveis, não combustíveis e recicláveis.

Casos práticos na região de Tama mostram a eficácia da medida. Na cidade de Kodaira, onde o sistema foi implementado, houve uma redução de cerca de 30% no volume de lixo combustível. Em conjunto com a taxação, a prefeitura iniciou a coleta seletiva de todas as embalagens plásticas, resultando em um aumento de mais do dobro na quantidade de plástico reciclado.

O tema não é novo na história da capital japonesa. Na década de 1970, Tóquio viveu a chamada “Guerra do Lixo”, um conflito entre distritos pela localização de incineradores e aterros, que levou ao estabelecimento do princípio de que cada região deve processar seu próprio lixo. A atual proposta de taxação é vista como um novo capítulo nessa longa busca por uma gestão sustentável de resíduos em uma das maiores metrópoles do mundo.

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