Japão adota seu primeiro plano básico nacional para desenvolvimento de inteligência artificial
Estratégia prevê investimento de ¥1 trilhão e busca posicionar país como líder global na tecnologia
O governo japonês aprovou em reunião ministerial seu primeiro plano básico para o desenvolvimento e utilização de inteligência artificial, marcando uma guinada estratégica na corrida tecnológica global. Aprovado pelo Gabinete, o plano estabelece um investimento de aproximadamente um trilhão de ienes (cerca de US$ 6,34 bilhões) ao longo de cinco anos, com o objetivo declarado de reverter a situação de atraso do país e torná-lo um líder global em IA confiável.
A estratégia reconhece que o Japão tem ficado para trás de outros países tanto no desenvolvimento quanto no investimento em inteligência artificial. Dados recentes mostram que apenas cerca de 27% da população japonesa utilizou IA generativa, percentual significativamente inferior aos 68,8% dos Estados Unidos e 81,2% da China. O plano básico estabelece como meta inicial elevar a taxa de utilização de IA no país para 50% da população, com ambição de atingir 80% no futuro.
O documento posiciona a inteligência artificial como uma infraestrutura social essencial e como pilar central da estratégia de crescimento econômico do governo da primeira-ministra Sanae Takaichi. Entre as ações fundamentais estão a aceleração da adoção de IA nos governos central e locais, o fortalecimento estratégico das capacidades de desenvolvimento, a tomada de liderança em governança e regulamentação internacional, e a reforma de sistemas e estruturas sociais.
Um dos focos específicos do plano é o desenvolvimento de modelos básicos de IA domésticos, criados a partir dos dados de alta qualidade disponíveis no Japão, em contraposição à dependência de plataformas estrangeiras. O plano também classifica como ferramenta-chave a chamada “IA física”, que combina inteligência artificial com robótica, área em que o país busca recuperar terreno perdido.
Para abordar preocupações públicas sobre segurança e confiabilidade, o plano prevê o fortalecimento do Instituto de Segurança de IA do Japão, com aumento no número de funcionários dedicados à avaliação de segurança da tecnologia. Na área educacional, estabelece a importância de incluir fundamentos de IA no currículo de estudantes do ensino fundamental e médio, visando a formação de especialistas para o futuro.
O plano básico foi elaborado com base na Lei de Promoção da IA, promulgada em maio deste ano, que estabeleceu os princípios fundamentais para a governança da tecnologia no país. Diferentemente de abordagens regulatórias mais prescritivas como a da União Europeia, a legislação japonesa adota uma filosofia de “governança ágil”, focada em incentivar a inovação através de cooperação entre setores, sem impor multas diretas, mas utilizando mecanismos como a divulgação pública de incidentes graves.
O governo planeja revisar a política básica anualmente, reconhecendo o ritmo acelerado de desenvolvimento e adoção da tecnologia. Está prevista também a compilação de um roteiro com metas de investimento mais detalhadas para o próximo verão, que será incorporado a uma revisão do plano. Paralelamente, a primeira-ministra Takaichi instruiu ministros a trabalharem na realização de uma “Cúpula de IA” no Japão em data próxima, sinalizando a intenção do país de desempenhar papel de liderança nos debates internacionais sobre governança da inteligência artificial.
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