Ex-militar Rina Gonoi obtém acordo histórico em processo por assédio nas Forças de Autodefesa
Caso expõe desafios do movimento #MeToo e da justiça para vítimas de violência sexual no Japão
A ex-membro das Forças de Autodefesa do Japão (SDF), Rina Gonoi, chegou a um acordo com o governo japonês e um ex-colega, encerrando uma longa batalha judicial por agressão sexual sofrida durante seu serviço militar. O acordo foi anunciado em uma coletiva de imprensa em Tóquio nesta segunda-feira.
Gonoi ganhou proeminência nacional em 2022 ao usar o YouTube para compartilhar publicamente sua história, após uma investigação interna das Forças de Autodefesa ter sido encerrada sem medidas concretas. Sua coragem em falar abertamente destacou-se em um país onde o movimento #MeToo não ganhou grande tração e muitas vítimas de violência sexual temem se manifestar.
A busca da ex-soldado por justiça culminou em uma decisão criminal histórica em dezembro de 2023, quando três ex-militares foram considerados culpados por agredi-la. No entanto, as sentenças de prisão foram suspensas, o que gerou críticas de defensores dos direitos das vítimas.
O caso de Gonoi abriu um debate crucial sobre a cultura institucional dentro das forças armadas japonesas e os mecanismos de denúncia e responsabilização. A persistência da ex-militar em buscar reparação, enfrentando um sistema muitas vezes fechado, é vista como um ponto de virada significativo para discussões sobre assédio e poder no ambiente de trabalho japonês, inclusive em instituições tradicionais como as forças de autodefesa.
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