Governo japonês estabelece meta para atrair mão de obra estrangeira e combater escassez.

Japão estabelece meta para receber 1,23 milhão de trabalhadores estrangeiros até 2028

Medida histórica visa aliviar escassez crônica de mão de obra e modernizar sistema de imigração

O governo japonês anunciou uma proposta para limitar o número de trabalhadores estrangeiros aceitos sob seus principais programas de migração laboral em aproximadamente 1,23 milhão até o final do ano fiscal de 2028. A medida faz parte de uma reforma abrangente destinada a enfrentar a severa escassez de trabalhadores que afeta diversos setores da economia do país.

A proposta, apresentada pela Agência de Serviços de Imigração em uma reunião de especialistas, estabelece metas específicas para duas categorias. Para o status de “trabalhador qualificado específico” (Tipo 1), que permite estadias de até cinco anos no país, o teto seria de 805.700 pessoas. Já um novo programa de desenvolvimento de habilidades e emprego, que substituirá o atual sistema de estagiários técnicos a partir de abril de 2027, prevê a aceitação de até 426.200 pessoas em 17 áreas diferentes.

O plano também expande as oportunidades para estrangeiros ao incluir três novos setores: fornecimento de rouparia, distribuição e armazenamento, e reciclagem de recursos. Os limites propostos para esses novos campos somariam 7.700, 18.300 e 4.500 vagas, respectivamente. O governo pretende adotar formalmente essas diretrizes em uma reunião de gabinete em janeiro.

Essa movimentação ocorre em um contexto de profunda transformação demográfica no Japão. O país registra atualmente o maior número de estrangeiros residentes de sua história, com cerca de 3,96 milhões de pessoas. Paralelamente, a população japonesa está envelhecendo e diminuindo rapidamente, com a taxa de natalidade atingindo níveis recordes de baixa. Estima-se que a população em idade ativa tenha caído de cerca de 87 milhões na década de 1990 para aproximadamente 74 milhões atualmente, pressionando setores essenciais como logística, construção, manufatura e cuidados com idosos.

A nova estratégia representa uma evolução significativa na política de imigração japonesa, que tradicionalmente era mais restritiva. O novo programa de desenvolvimento de habilidades, em particular, tem como objetivo substituir o polêmico sistema de estagiários técnicos, frequentemente criticado por falhas na proteção dos direitos dos trabalhadores. Os setores de construção e manufatura de produtos industriais devem ser os que mais receberão trabalhadores sob o novo sistema, com previsão de até 120.000 vagas cada.

Embora estabeleça um teto, a política reflete um reconhecimento pragmático por parte do governo de que a mão de obra estrangeira é crucial para a sustentabilidade econômica do país. Autoridades argumentam que o plano foi elaborado com base em cálculos detalhados das necessidades setoriais, descontando-se a força de trabalho que se espera recrutar domesticamente e considerando melhorias de produtividade. A medida busca equilibrar a necessidade de preencher vagas de trabalho com a proteção das oportunidades de emprego para os cidadãos japoneses.

O sucesso desta iniciativa dependerá não apenas da atração, mas também da integração eficaz desses trabalhadores. O governo já sinalizou a necessidade de destinar mais recursos para melhorar o atendimento, agilizar processos burocráticos e ampliar programas de ensino da língua japonesa para a comunidade estrangeira. A implementação desse plano será observada de perto como um teste crucial da capacidade do Japão em adaptar suas políticas a uma realidade demográfica irreversível.

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